Divulgação
Divulgação

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Brasil cede presidência do banco do Brics para Índia e aceita vaga no conselho

Após negociações, Brasil desiste da presidência da nova instituição em favor de acordo; sede será em Xangai, na China

Lisandra Paraguassu, Adriana Fernandes, João Villaverde, enviados especiais

15 de julho de 2014 | 15h13

FORTALEZA - O Brasil cedeu a presidência geral do banco do Brics para Índia para fechar o acordo nesta terça-feira, 15, em Fortaleza. O País ficará com a primeira presidência do conselho de acionistas. Já a sede será em Xangai, na China. Fontes do governo confirmaram ao Estado que esse foi o acordo possível para contentar todos os lados e permitir a assinatura da criação do banco.

O Brasil almejava a presidência geral, mas a Índia, que primeiramente queria a sede do banco em Nova Délhi, só cedeu em troca do cargo principal. O acordo, no entanto, foi festejado pelo governo brasileiro como o possível. A presidência do banco é rotativa, a cada cinco anos.

A negociação estava praticamente fechada até o final de semana, com a China mantendo a sede em Xangai e o Brasil com a primeira presidência. Mas nesta segunda-feira, já em Fortaleza, a conversa retrocedeu e o Brasil não descartava a possibilidade de ter de entregar a presidência para que o acordo pudesse ser fechado em Brasília. 

Após a Índia, o Brasil terá a segunda presidência do banco. Na sequência, ficarão Rússia, África do Sul e China. 

Dilma. A presidente Dilma Rousseff usou a sua conta do Twitter para comentar a criação do banco. "Os Brics vivem momento especial devido ao fortalecimento de duas iniciativas que estão sendo debatidas durante este encontro em Fortaleza", disse. De acordo com Dilma, o banco terá duas funções: financiar infraestrutura e atuar no contingenciamento de reservas internacionais.

"A segunda (iniciativa) é uma linha de contingenciamento de reservas, um seguro dos Brics contra a instabilidade do mercado financeiro internacional", afirmou. Essa linha será chamada de Arranjo Contingente de Reservas (CRA) e ajudará a controlar o processo de volatilidade das economias mundiais em um momento em que os Estados Unidos começam a retirar os estímulos à economia. O CRA é um espécie de fundo virtual anticrise.

"O CRA, que tem um montante de US$ 100 bilhões, vai contribuir para que esse processo de volatilidade enfrentado por diversas economias quando da saída dos Estados Unidos da política de expansão monetária seja mais contido, mais administrado. E dá segurança, dá uma espécie de rede de proteção aos países Brics e aos demais", disse a presidente.

Desse montante inicial de US$ 100 bilhões, US$ 41 bilhões virão da China. Já Brasil, Índia e Rússia irão colaborar, cada um, com US$ 18 bilhões e a África do Sul fará um aporte de US$ 5 bilhões. Segundo o Banco Central do Brasil, a eventual liberação de recursos se dará por meio de operações de swap. O país que solicitar recursos receberá dólares e, em contrapartida, dará sua moeda aos países contribuintes, em montante e por período determinados.

Os Estados Unidos já começaram a retirar os estímulos à sua indústria e de, acordo com o Federal Reserve, o Banco Central americano, devem terminar todo o processo em outubro, o que terá reflexo na economia mundial. Ainda não há previsão de aumento de juros, mas o mercado já teme os efeitos de uma mudança na política monetária norte-americana.

Banco de combustíveis. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aproveitou seu discurso na reunião do BRICS para defender a criação de um "banco internacional de combustíveis". A ideia, que não havia surgido em nenhum outro encontro do BRICS, criado em 2008, funcionaria, segundo Putin, para "assegurar a segurança energética em nossos países, para assegurar o comércio de diferentes combustíveis entre nós".

Entusiasmado com o acordo pela criação do Novo Banco do Desenvolvimento, o "banco do BRICS", Putin afirmou que a nova instituição "terá bases para grandes mudanças macroeconômicas", uma vez que será, no futuro, "uma das agências econômicas mais importantes do mundo". O presidente russo também afirmou que o grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, "ocupa um lugar único na economia global".   

Tudo o que sabemos sobre:
brics

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.