Brasil chega a 60 Leões em Cannes

Com os 26 prêmios conquistados ontem na festival de publicidade, agências brasileiras já superam os 58 conseguidos no ano passado

Marili Ribeiro, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Conhecidos os vencedores de nove das 13 categorias em competição no 58.º Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na costa francesa, o Brasil já pode festejar. O desempenho do País este ano, com 60 estatuetas, sendo cinco de ouro, já é o melhor pelo menos dos últimos dez anos. Em 2010, o País conseguiu 58 Leões.

Nas quatro categorias restantes, o Brasil tem algumas chances. Mas os resultados oficiais só serão revelados no sábado. As maiores esperanças dos brasileiros estão em filmes comerciais. A lista preliminar vai ser divulgada amanhã, mas especula-se que há a perspectiva de pelo menos mais 14 Leões.

Nas outras três categorias - Titanium & Integrated Lions, que premia a inovação em ações de comunicação nas diferentes plataformas de mídia; Film Craft Lions, que celebra as inovações na produção de filmes comerciais: e Creative Effectiveness Lions, que elege as peças publicitárias que efetivamente deram resultados aos anunciantes que pagaram por elas -, o Brasil ainda não tem grande tradição.

As categorias em que o Brasil realmente se destaca são os anúncios impressos e os outdoors, que são peças publicitárias correlatas em boa parte do tempo. Em outdoors, o Brasil ganhou 17 troféus. Em anúncios impressos, ganhou 20, sendo um deles um Leão de ouro.

Reconhecimento. O jurado brasileiro em Impressos, Marcos Medeiros, diretor de arte da AlmapBBDO, disse que há reverência ao trabalho brasileiro na área. "O presidente do júri (Tony Granger, presidente global de criação da Young & Rubicam) olhava para uma peça é dizia: deve ser do Brasil. E era. Confesso que eu mesmo não sei identificar exatamente, mas há um jeito de fazer peças impressas que tem a cara do Brasil."

Medeiros reconhece que o desenvolvimento do Brasil na arte de fazer bons anúncios impressos está no preço que o anunciante paga por uma veiculação. "Com US$ 150 mil, o cliente não consegue fazer um filme que se destaque, mas faz uma boa campanha que, se ganhar destaque e prêmio em Cannes, ainda tem repercussão na mídia."

Escalada. Sem esconder o cansaço pela maratona de trabalho na presidência do júri de Design, o brasileiro Luciano Deos, sócio do escritório GAD Design e presidente da Associação Brasileira de Design (Abedesign), se mostrava bastante satisfeito com os cinco troféus obtidos na categoria, dois deles de ouro.

"São apenas quatro anos de participação no festival de Cannes", disse. "Há três a Abedesign começou a se envolver e a mudar a percepção de que o Brasil também tem design de qualidade. Tanto que, no folder que preparamos para o estande que montamos aqui, mostramos que temos design em carro (Fiat Mille desenvolvido no Brasil), temos design em avião. Não precisamos nos intimidar com a produção na área dos anglo-saxões."

Deos está convicto de que, mais do que o crescimento da participação, ou a preocupação com a quantidade de prêmios obtidos, o que precisa efetivamente mudar é a mentalidade. "Temos capacitação para oferecer alternativas a clientes globais, e faremos isso. Por isso mesmo, destacamos a frase de que o mundo, em cinco anos, estará comprando o design brasileiro."

De forma geral, a categoria, que passou a estar presente na competição em Cannes há quatro anos, é relativamente nova também para os outros países participantes. "Então", diz Deos, "vamos ocupar posições, antes que outros façam isso".

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