Wilton Junior/Estadão
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Brasil e China se comprometem a ampliar comércio no longo prazo

Compromisso foi firmado em encontro da Cosban, comissão bilateral que reúne os dois países, e serve como uma carta de intenções

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2022 | 18h15

BRASÍLIA - Por meio da VI Sessão Plenária da Comissão Sino-brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), ocorrida nesta segunda-feira, 23, com a participação do vice-presidente Hamilton Mourão, Brasil e China manifestaram a disposição de ampliar a pauta comercial entre as partes no longo prazo.

A Cosban é o principal mecanismo bilateral entre Brasil e China e sempre liderada pelos vice-presidentes de parte a parte. O encontro de hoje, o único desde 2019, aconteceu de modo virtual devido à política de covid zero adotada por Pequim.

No encontro foram lançados um Plano Estratégico com diretrizes para balizar as relações bilaterais entre 2022 e 2031; e um Plano Executivo, com as medidas voltadas até 2026 em áreas como política, economia e ciência e tecnologia.

"As partes buscarão ativamente expandir quantitativa e qualitativamente seus fluxos bilaterais de comércio, buscando a diversificação, de lado a lado, dos produtos e serviços comercializados, incluindo a promoção das exportações de produtos e serviços com maior valor agregado", informa o Plano Estratégico. "Para garantir a fluidez de seu intercâmbio comercial, as Partes incentivarão a adoção de trâmites aduaneiros", acrescenta, sem explicar como isso aconteceria na prática.

De acordo com o mesmo documento, Brasil e China vão trabalhar para assegurar a estabilidade do comércio agrícola, considerando a importância desse setor para a segurança alimentar. "Envidarão esforços para promover a exportação de bens agrícolas e de origem animal produzidos de maneira sustentável e respeitando os melhores padrões de sanidade e inocuidade", destaca o plano.

Já o Plano Executivo, com metas mais imediatas, fala em "aprimorar a cooperação em requisitos sanitários e fitossanitários, intensificar a colaboração estratégica voltada ao fornecimento de alimentos de qualidade às populações de ambas as partes" e "cooperar na promoção das melhores práticas e diretrizes internacionais".

Mourão reconhece atritos com a China

Após participar de reunião da VI Sessão Plenária da Cosban, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) reconheceu que os ataques de integrantes do governo à China podem causar ruídos na relação com o principal parceiro comercial do País. Por outro lado, o general minimizou os impactos das declarações: “isso faz parte”.

“A questão do nosso relacionamento do Brasil e China é um relacionamento que vem se desenvolvendo no mais alto nível. De vez em quando sai algum ruído. Isso faz parte”, declarou o vice-presidente em coletiva de imprensa.

O envio de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19 ao Brasil no auge da pandemia foi atrasado após ataques do próprio presidente Jair Bolsonaro (PL) à China. O chefe do Executivo, seus filhos e apoiadores mais próximos chegaram a culpar o país asiático pelo surgimento do novo coronavírus, o que gerou reação em Pequim. 

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