Brasil, China e India reclamam de espaço dado pelo G-8

Os ministros das finanças do Brasil, China e Índia estão insatisfeitos com o espaço concedido a eles nas reuniões do G-8 e vão pressionar por uma maior participação no clube dos ricos. Eles decidiram também fortalecer o G-20, que além de ministros do G-8 abriga as principais nações em desenvolvimento. "Não vejo porque nós não sejamos incluídos nas discussões plenas do G-8", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após se reunir com os representantes da Índia e China. "De certa forma fica uma situação esquisita, pois você é convidado para a reunião do G-8, participa de uma parte da discussão e não participa da outra."Ele criticou o fato de o Brasil não ter sido incluído numa reunião que debateu a questão energética. "Imagina o Brasil não participar da discussão de energia, sendo que ele é hoje o país que apresenta mais alternativas energéticas no mundo", afirmou.Ao longo dos últimos anos, os três países emergentes têm sido convidados para as reuniões de ministros e da cúpula do G-8, com exceção da de 2004, realizada nos Estados Unidos. Essa participação gerou o termo ´G-11´. Mas o espaço concedido aos três emergentes é sempre limitado a algumas reuniões e os excluiu da elaboração do comunicado final dos eventos."Graças a esses países o nível de inflação no mundo é mais baixo, pois eles injetam produtividade e redução de custos na economia , e portanto são importantes protagonistas do desenvolvimento global. Ele acrescentou que os três países são bem equilibrados do ponto de vista orçamentário, além de terem se tornado doadores de recursos a nações mais pobres.Mantega e seus colegas da China e Índia decidiram se encontrarem antes das futuras reuniões dos ministros das finanças do G-8 para definir uma pauta comum nesses eventos. Além disso, vão procurar reforçar a agenda do G-20, cuja próxima reunião anual ocorrerá em novembro na Austrália. "Vamos levar ao G-20 questões que somente são discutidas pelo G-8", disse Mantega.EnergiaMantega e os ministros da Índia e China decidiram criar ´uma agenda de discussão de energia e desenvolvimento´. "A China e Índia são fortes importadores de petróleo - que não é o caso do Brasil - e estão preocupados com os elevados preços da commodity", disse Mantega. "Essa nova agenda comum vai se centrar inicialmente na tecnologia do etanol brasileiro."Mantega fez uma palestra aos demais ministros dos G-8 sobre mecanismos de financiamento de combate a pobreza do mundo. Além de sublinhar a necessidade de adoção de métodos alternativos, como a taxa sobre passagens aéreas proposta pela França e Brasil, ele observou que uma liberalização do comércio mundial para produtos agrícolas seria um dos fatores mais importantes para ajudar os países pobres."Não adiante criar mecanismos de ajuda aos pobres se as barreiras para os produtos agrícolas nas nações ricas não forem derrubadas", disse Mantega. "Por isso, é imperioso se superar o impasse nas negociações da roda de Doha." Segundo o ministro, o chanceler britânico Gordon Brown e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, manifestaram apoio a essa posição.

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