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Brasil, China e UE exigem mais dos EUA na Rodada Doha

Brasil, China e União Europeia (UE) exigiram dos Estados Unidos hoje maior engajamento nas negociações para a conclusão da Rodada Doha de liberalização do comércio global. "Muitos membros (da OMC) observaram que, especialmente nos dois últimos anos, os Estados Unidos parecem ter renunciado a seu papel de liderança nas negociações", disse o embaixador chinês Sun Zhenyu, durante sessão na Organização Mundial do Comércio (OMC) em que as políticas comerciais dos EUA foram avaliadas, o que ocorre a cada dois anos.

ANA CONCEIÇÃO, Agencia Estado

29 de setembro de 2010 | 15h53

Embora peçam que os países em desenvolvimento façam mais concessões para se chegar a um acordo global, os Estados Unidos "falham em dizer como pretende melhorar sua própria oferta em questões que preocupam as nações menos desenvolvidas", disse Sun, ecoando preocupações que também são do Brasil. A UE pediu que os EUA acelerem sua posição "inclusive dando mais contribuições próprias às negociações e sendo realista naquilo que pede de seus parceiros". Segundo o chefe da delegação europeia em Genebra, John Clarke, "os EUA estiveram na vanguarda daqueles que reconhecem o valor de um comércio aberto, baseado em regras internacionais". Recentemente, contudo, "vemos alguns sinais de que esse compromisso e disposição para liderar pelo exemplo está diminuindo. Isso é motivo de grande preocupação", disse Clark durante a reunião.

Além das negociações da Rodada Doha, Washington também foi bastante criticado em outras frentes de sua política comercial. A China fez uma observação especialmente endereçada ao modo como os EUA conduzem a economia e o dólar. "Estamos muito preocupados sobre que medidas responsáveis e práticas o país tomará para impedir o recuo do dólar e manter a estabilidade da moeda", afirmou Sun.

A política agrícola norte-americana foi outro ponto crítico. A OMC pediu que os EUA reduzam os subsídios dados a seus agricultores, tão "consideráveis" que podem distorcer os mercados mundiais. "A agricultura representa apenas 0,8% do PIB dos EUA e emprega só 1,4% de sua força de trabalho", disse Roberto Azevedo, enviado do Brasil à entidade. "Apesar disso, esse setor se beneficia de um arsenal de medidas restritivas e que distorcem o mercado". As informações são da Dow Jones.

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