Brasil classifica oferta da UE de reduzir tarifa de 'propaganda'

Para embaixador brasileiro, proposta não diz respeito a uma concessão, mas a conseqüências das negociações

Deise Vieira, da Agência Estado,

21 de julho de 2008 | 11h46

O Brasil classificou a oferta de ampliação no corte da tarifa agrícola de 54% para 60% feita nesta segunda-feira, 21, pela União Européia como "propaganda", e não ficou impressionado com a proposta. "Esse número é uma conseqüência de diferentes números que a EU já estava estudando", afirmou o embaixador Roberto Azevedo, subsecretário de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty e um dos principais negociadores do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC).   Veja também:  UE propõe ampliar corte de tarifa agrícola para 60%  EUA prometem nova proposta para corte de subsídios  Falta de sintonia marca reunião da OMC sobre Rodada Doha  Amorim busca minimizar comentário sobre nazista na OMC  EUA classificam como 'baixos' comentários de Amorim   "Isso não diz respeito a uma concessão, mas a conseqüências das negociações", disse ele. "Se a UE está propondo ampliar o corte da tarifa, é porque possui a margem para fazer isso." Ministros de cerca de 35 países-membros da OMC participam, a partir desta segunda-feira, em Genebra, de uma reunião considerada decisiva para o futuro da Rodada Doha de liberalização do comércio global.   Nesta segunda, o comissário do Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, disse que é fundamental que os países em desenvolvimento façam cortes "reais" nas tarifas industriais para que seja possível chegar a um acordo na Rodada Doha.   Mandelson, que está sob forte pressão política, sobretudo da França, endureceu sua posição sobre a questão industrial. "Esses cortes devem oferecer novo acesso ao mercado na prática. Nada mais funcionará para nós. Nada mais permitirá a conclusão do acordo", disse.   O comissário afirmou que a Europa está preparada para fazer cortes "dolorosos" nos pagamentos para produtores, mas apenas se receber garantias de avanço em outros tópicos, como tarifas industriais e serviços. "Estamos preparados para oferecer mais do que os outros nessa rodada, mas todos devem entender que precisamos de algo em troca", disse ele. "A oferta da UE não continuará na mesa indefinidamente."   A representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, também pediu aos mercados emergentes para que dêem sua contribuição ao processo, destacando o papel "fundamentalmente crítico" desses mercados para a Rodada Doha. Segundo ela, a maior parte da contribuição deve surgir por meio da liberalização do mercado, em vez de cortes de subsídios. As informações são da Dow Jones.

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