Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Brasil começa a deixar a lista dos ‘5 frágeis’

Para economistas europeus, ajuste de contas externas e recuperação das commodities devem tirar País da lista de países mais vulneráveis

Célia Froufe, correspondente, Impresso

30 de janeiro de 2017 | 05h00

LONDRES - Ajuste das contas externas e um empurrãozinho da recuperação dos preços das commodities já liberam o Brasil de integrar o indigesto grupo de países considerados “5 frágeis” em relação ao câmbio. Em relatórios de bancos estrangeiros e veículos de informação, o País ainda é lembrado como um dos seus membros, mas economistas que atuam na Europa consideram a colocação injusta.

O termo foi cunhado em 2013 pelo banco Morgan Stanley e englobava as economias mais vulneráveis ao aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e ao fortalecimento do dólar por causa de seus grandes déficits em conta corrente e de seu nível de inflação para o consumidor relativamente alto. Integram a lista o real brasileiro, a lira turca, o rand sul-africano, a rupia indiana e a rupia indonésia.

Desde que Donald Trump passou a ser avaliado como uma possibilidade real na Casa Branca, o termo voltou a surgir junto com a disparada do dólar. Algumas moedas de países emergentes simplesmente ficaram à mercê das apostas a favor da retomada da economia dos EUA.

“Chamar o Brasil hoje de um dos países mais frágeis é um exagero”, resume o chefe de pesquisa macroeconômica para América Latina da consultoria Oxford Economics, em Londres, Marcos Casarin. Dado o novo cenário político mundial, avalia, já seria hora de alguma substituição, como a saída da Índia e do Brasil e a entrada do México, cujo peso vem sentindo os efeitos da nova administração americana.

O analista lembra que os cinco países foram considerados frágeis porque tinham problemas em seus balanços de pagamento. “A necessidade de financiamento externo era maior do que o Investimento Direto no País (IDP) e esses países precisavam ir a mercado buscar dólares”.

Balança. Em 2016, o déficit da conta corrente brasileira fechou em US$ 23,5 bilhões, ou 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Um ano antes, a relação era de 3,3%. A principal contribuição para a redução do rombo veio da balança comercial,.

Casarin ressalta que, para o mercado, não vale a pena apostar contra o real. Para forçar uma corrida contra o câmbio no País seria preciso levar em conta a taxa de juros, que, apesar de o Banco Central ter sinalizado que entrará em trajetória de queda, ainda é muito mais alta do que em outros países. Se a Selic está em 13% ao ano no Brasil, no México, por exemplo, é de 5,75%. “O Brasil não é o País vulnerável no momento. Se o mercado escolher, vai ser quem estiver mais desguarnecido.”

A diretora de Pesquisas Econômicas do Haitong Bank em Lisboa, Sandra Utsumi, ressalta que o Brasil sofreu menos com a volatilidade recente em relação a outras moedas porque foi visto uma retomada dos preços das commodities. “Com isso, houve melhora da performance dos países que são exportadores de matérias-primas metálicas”.

Outro ponto favorável ao país citado pelos dois profissionais tem relação com a mudança da percepção política, com a aprovação de temas pelo Congresso que vão melhorar os fundamentos do País, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que impõe um teto para o crescimento dos gastos.

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