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Brasil começa a liberar carros na fronteira

Em contrapartida, Argentina permite entrada de calçados, pneus e baterias brasileiros

Raquel Landim / São Paulo, Renata Veríssimo / Brasília e Ariel Palacios / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Como "gesto de boa vontade", Brasil e Argentina estão liberando alguns produtos parados na fronteira. O governo brasileiro autorizou a entrada de alguns carros argentinos. Em contrapartida, o país vizinho permitiu o ingresso de baterias, pneus e calçados.

Segundo fontes do Ministério da Indústria da Argentina, o Brasil se comprometeu a liberar cerca de mil dos 3 mil veículos parados, mas o governo brasileiro não confirma. Fontes do setor automotivo argentino disseram que entraram 600 carros ontem à tarde e mais 400 deveriam entrar à noite. Não há informação do volume de produtos que a Argentina prometeu liberar.

Só a Toyota tem 50 carretas paradas, com 350 veículos modelos Hilux e SW4. Desde que a barreira começou, a Toyota parou de despachar veículos da fábrica argentina. Apesar da liberação parcial, os carros importados pelo Brasil continuam sujeitos a licença não automática, que pode demorar até 60 dias.

O Estado antecipou na edição de ontem que Brasil e Argentina poderiam começar a liberar produtos. A decisão foi tomada ontem em conversa pelo telefone entre o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento do Brasil, Alessandro Teixeira, e o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi.

O objetivo é permitir um clima mais positivo para a reunião entre Teixeira e Bianchi, que acontece segunda e terça-feira, em Buenos Aires. Nesse encontro, serão discutidos todos os aspectos da relação bilateral. Apenas se não houver acordo devem ser reunir os ministros do Desenvolvimento do Brasil, Fernando Pimentel, e da Indústria da Argentina, Débora Giorgi.

O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, disse ao Estado que está "otimista" sobre a solução da atual crise comercial. "Os dois países são sócios. E tanto um quanto o outro possuem chances de crescer nos dois lados da fronteira", afirmou. "Estou confiante de que tudo andará bem."

Geladeiras. Os exportadores brasileiros vem enfrentando retenção de produtos na fronteira ou em depósitos alfandegários dentro da Argentina. Entre os setores afetados que não foram beneficiados pelos "gestos de boa vontade", estão máquinas agrícolas, chocolates e geladeiras.

O conflito entre os dois países esquentou na semana passada, quando o Brasil aplicou licenças não automáticas para a importação de carros vindos de todos os países do mundo, mas atingiu diretamente a Argentina. O país vizinho destina a maior parte de suas exportações do setor automotivo ao Brasil.

Para fontes ligadas às montadoras brasileiras, é preciso encontrar uma solução para o conflito com a Argentina, porque o comércio é intenso. As licenças não automáticas, no entanto, também atingem carros asiáticos, que são alvo de preocupação. A fatia dos veículos importados no consumo doméstico subiu de 5% em 2005 para 23%. / COLABOROU CLEIDE SILVA

Otimismo

AMADO BOUDOU

MINISTRO DA ECONOMIA DA ARGENTINA

"Os dois países são sócios e possuem chances de crescer nos dois lados da fronteira. Estou confiante de que tudo andará bem (na reunião bilateral)"

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