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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Brasil considera tardia reformulação do FMI em 2011

O Brasil não está plenamente satisfeito com a posição adotada pelo G-20 sobre a reformulação do Fundo Monetário Internacional (FMI). O comunicado divulgado pelo grupo hoje coloca que uma revisão de cotas deve ser feita até janeiro de 2011. O novo prazo representa um adiantamento em relação ao normalmente estabelecido de cinco anos, já que a última alteração foi feita em 2008.

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

14 de março de 2009 | 17h49

No entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles acreditam que a reformulação precisa ser feita antes disso. "Em dois anos, ou a crise já passou ou estaremos todos mortos", disse Mantega, em coletiva conjunta com Meirelles após o final do encontro, nos arredores de Londres. "O prazo não é compatível com a velocidade da crise", completou o presidente do BC.

A posição dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) é de não realizar aportes adicionais de recursos no FMI enquanto os emergentes não ganharem mais voz na instituição.

Mantega acredita que o fundo precisa sim de mais capital para ajudar os países com necessidades na crise. Mas ele avalia que isso precisa ser realizado por outro mecanismo, como uma aplicação de nações que possuem recursos disponíveis, como o Japão está propondo fazer. "Se houver reforma das cotas, aí sim podemos colocar", disse o ministro. Para ele, o FMI precisa de US$ 500 bilhões a US$ 1 trilhão - hoje, possui US$ 250 bilhões.

Conforme as autoridades, o encontro deste final de semana concluiu que cada país deve combater a crise da maneira que for mais apropriada - apesar de todo o discurso ter sido focado na ação conjunta. Alguns, como os europeus, já injetaram recursos na economia e agora aguardam os resultados. Todos estão cientes da necessidade de agir diante da situação que já era grave e se deteriorou nos últimos meses.

Sistema Financeiro - Eles também observaram a importância de resolver os problemas dos bancos, que estão no centro da turbulência. "Eu sei de fontes que o Reino Unido vai tomar novas medidas para dar sustentação aos bancos e vai anunciar até 2 de abril (data do encontro do G-20)", contou Mantega.

Meirelles vê a necessidade de reformar a regulamentação do sistema financeiro não só para evitar novas crises no futuro, mas também para restabelecer a confiança no momento atual, com a consequente retomada do crédito.

Os ministros do G-20 definiram princípios gerais de regulação a serem adotados pelos países. O objetivo é elevar a transparência e colocar normas para todas as esferas do mercado, como os hedge funds, que hoje não são regulados no exterior. Outro ponto é que as agências de rating também terão de se submeter a regras.

Recessão - Questionado se o Brasil conseguiria evitar a recessão técnica, Meirelles respondeu que o Banco Central não faz projeções trimestrais, e sim anuais. "Mas não há dúvidas de que os primeiros dados sobre janeiro e fevereiro são encorajadores." É considerada recessão técnica quando o Produto Interno Bruto (PIB) fica negativo durante dois meses consecutivos. O resultado negativo do último trimestre do ano passado acendeu o alerta sobre a possibilidade de o número do primeiro trimestre também vir negativo.

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