Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Para economista do Bradesco, Brasil 'vive perigosamente' e conta com 'proteção divina'

A empresários do setor, Octavio de Barros afirmou que as ameaças à economia brasileira se tornaram realidade e que a 'mãe de todas as incertezas no País' é de origem fiscal

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2016 | 18h35

SÃO PAULO - Recorrendo a uma imagem do Cristo Redentor no início de sua apresentação no 10º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (CMEP), organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, disse que o Brasil conta com uma certa proteção divina e vive perigosamente por ser um país historicamente sem vocação reformista. 

"Esse é o grande dilema do Brasil. Ele é percebido globalmente como um País que não tem nenhuma vocação... as reformas do Brasil sempre têm um caráter inteiramente incremental. O Brasil nunca vai além do incremental", disse, acrescentando que este é um lado muito ruim história.

 De acordo com Barros, a pergunta que ele sempre se faz é se 2016 será um ano de transição, de resolução das incertezas. Para ele, o Brasil passou por momentos tão dramáticos em 2015 que sua intuição pessoal é que 2016 vai ter esse caráter, de uma passagem para alguma coisa melhor. "Até porque, as crises favorecem uma mudança de atitudes", disse Barros. Segundo ele, "dada a importância da diversidade setorial da economia brasileira, da maturidade já adquirida na parte corporativa brasileira, vejo como um jogo de rúgbi". "Cometeu alguns pecados fica dez minutos fora e depois volta para o jogo", explicou. 

Na avaliação do economista do Bradesco, o Brasil vai voltar para o jogo. "Nós temos apenas que superar essa que é a quarta maior crise política da história republicana brasileira. Teve a queda do Estado Novo, o golpe de 64, o impeachment do Collor e essa crise agora que a gente não sabe no que vai resultar", relatou.

O entendimento de Barros é o de que muitas das ameaças à economia brasileira foram dissipadas. "A ameaça de aumento de juros nos Estados Unidos virou realidade; tínhamos a ameaça da queda do Joaquim Levy, ela virou realidade; tínhamos a ameaça da perda do grau de investimentos, ela virou realidade, a ameaça de que alguma figura política e empresarial poderia ser presa, virou realidade". "Ameaça de que as metas de primário não fossem alcançada, virou realidade", disse Barros, acrescentando na lista das ameaças dissipadas o agravamento da situação da Petrobrás e a deterioração do cenário global.

"Portanto, não há mais ameaças e as coisas daqui para frente só podem melhorar. Temos é que pensar como partir desta situação onde já estamos atravessando um momento de grande delicadeza, reconhecendo que essa crise não pode ser desperdiçada", disse. Segundo Barros, é preciso fazer com que os investidores voltem a recolocar o Brasil no radar dos investimentos. "Eu acho que para isso, a mãe de todas as incertezas é de natureza fiscal", disse. 

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