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Brasil corre risco de crise cambial, alerta professor da USP

O governo brasileiro precisa adotar uma nova diretriz na política econômica se não quiser enfrentar, mais adiante, uma crise cambial. Na opinião do economista e professor da USP Nelson Barrizzelli, é necessário que seja feito "um ajuste fino" para evitar esse problema. "O risco de corrida para fora (de investidores) é grande. Temos como lado positivo o crescimento de nossas reservas líquidas, mas é insuficiente", disse Barrizzelli, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". Nos últimos três a quatro meses, contou o professor, as reservas líquidas tiveram um incremento de US$ 10 bilhões, o que é pouco. "Temos no máximo US$ 30 bilhões para fazer frente a uma corrida", lamentou. Ele acredita, no entanto, que será difícil o Brasil conseguir escapar de uma crise cambial, "pois o Banco Central não dá mostras de mudar o foco da política, que é o combate à inflação". Ao contrário do que a direção do BC propaga, de que o Brasil deixou de ser vulnerável, Barrizzelli aponta que o País continua, sim, vulnerável. "Nossa vulnerabilidade aparente está caindo, mas nossa vulnerabilidade intrínseca continua", frisou. A mudança dos rumos da política, de acordo com o professor, é essencial para que o Brasil volte a atrair investimentos produtivos, e não especulativos, como vêm ocorrendo, que jogam o dólar para baixo. Ele contou que participou recentemente de um congresso internacional sobre investimentos externos no qual o Brasil só foi citado apenas uma vez. "O Brasil praticamente desapareceu da agenda de investimento produtivo. Continuamos atraindo, sim, o investimento especulativo." Na análise de Barrizzelli, o Brasil tem pelo menos dois problemas sérios para os quais deve direcionar o máximo de atenção. O primeiro é a balança de pagamentos, que está sobrevivendo de forma positiva graças aos contratos fechados a longo prazo no ano passado. Esses contratos, aponta ele, foram fechados na esperança de que o dólar não chegaria aos níveis em que está. "Precisamos esperar o segundo semestre para ver o que vai ocorrer." O outro problema é que a economia está crescendo porque o País tem "uma economia invisível", que está fora do alcance da política econômica e das estatísticas oficiais.

Agencia Estado,

15 de fevereiro de 2005 | 05h55

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