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Brasil crescerá 3,2% em 2012, mas risco de inflação permanece, diz Fitch

Recuperação está sendo sustentada pelas políticas monetárias de flexibilização e pelas medidas macroprudenciais adotadas para conter o crescimento do crédito, diz Agência

Patrícia Braga, da Agência Estado,

28 de março de 2012 | 17h39

SÃO PAULO - A Fitch Ratings informou hoje que manteve sua projeção para o crescimento da economia brasileira em 3,2% em 2012, ligeiramente abaixo do crescimento de 2,7% que o país registrou em 2011, mas a Agência de classificação de risco soberano fez uma advertência para os riscos para a inflação projetados pelas políticas de estimulo à economia. "A frágil recuperação está sendo sustentada pelas políticas monetárias de flexibilização e pelas medidas macroprudenciais que foram adotadas anteriormente para conter o crescimento do crédito", explicou a Fitch.

Nos últimos meses, o governo brasileiro reduziu a taxa de juros básica (Selic) para 9,75% de seu pico de 12,5% em 2011, reduziu impostos para certos produtos e flexibilizou as restrições ao crédito. O governo também ordenou um aumento de 4% para o salário mínimo para R$ 622 por mês ou US$ 342 por mês.

"Os benefícios de pensão também subiram por causa do aumento de 14% no salário mínimo",afirmou Shelly Shetty, diretora da Fitch para rating soberano na América Latina. "O aumento no gasto do consumidor e nos gastos do governo pode pressionar a inflação."

No relatório divulgado hoje, a Fitch disse que "espera que a inflação em 2012 fique acima do centro da meta"

O governo brasileiro está comprometido com uma meta de 4,5% para a inflação em 2012, mas com a tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima, o que significa que a inflação pode chegar a 6,5% e ainda assim estará dentro da meta determinada pelo governo.

Atualmente, a inflação está em 5,6%, abaixo dos 6,5% registrados em 2011, mas ainda bem acima da meta de 4,5%.

As pressões inflacionárias provavelmente vão continuar, afirmou Shetty. Não vemos possibilidade de queda para 4,5% nem em 2013", afirmou ela. "Isso pode mudar com o monitoramento das commodities, gastos do governo e outros fatores", completou Shetty.

Shetty disse que a Fitch está otimista com a capacidade do governo cumprir com a meta fiscal também este ano. No começo do ano, o governo brasileiro anunciou o congelamento de mais de US$ 30 bilhões no Orçamento para 2012 para garantir que a meta possa ser cumprida. "Isso foi um importante sinal de que o governo está comprometido com a contenção fiscal", afirmou Shetty. Entretanto, ela acrescentou que a pressão dos gastos provavelmente deve permanecer forte à medida que a Copa do Mundo se aproximar em 2014. "Esse será um desafio para o governo, mas esperamos que a pressão inflacionária continue moderada. A inflação não é um obstáculo", completou ela.

Ainda no relatório divulgado hoje, a Fitch disse que existem alguns riscos negativos para o crescimento em 2012. Entre eles, "um ambiente externo desfavorável, crescimento fraco na China, volatilidade nos preços das commodities e um possível pico na aversão ao risco". As informações são da Dow Jones.

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