Brasil crescerá em 2013 menos do que o esperado, diz BC

O Banco Central (BC) está mais pessimista em relação ao crescimento da economia brasileira em 2013. Para a autoridade monetária, o Brasil fechará o terceiro ano do governo Dilma Rousseff com uma alta de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção do BC há três meses era de um crescimento de 2,7% ao longo deste ano. A nova previsão consta no Relatório Trimestral de Inflação de setembro, divulgado nesta segunda-feira, 30, no Relatório Trimestral de Inflação.

ADRIANA FERNANDES, CÉLIA FROUFE E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

30 de setembro de 2013 | 09h54

No relatório de março, o BC esperava uma alta de 3,1% do PIB. Para o acumulado em 12 meses até o segundo trimestre de 2014, o BC estima uma alta também de 2,5%. A estimativa do BC é igual à do Ministério da Fazenda, que projetou no relatório de despesas e receitas do Orçamento de 2013 um crescimento de 2,5% do PIB.

A estimativa do mercado financeiro, no entanto, divulgada também nesta segunda-feira, 30, pelo BC, no boletim Focus, é de um crescimento da economia este ano de 2,4%. No primeiro ano do seu governo, a presidente conseguiu um crescimento de 2,7% e, no segundo, de apenas 0,9%.

Câmbio

O BC passou a usar uma cotação para o dólar de R$ 2,35 segundo o relatório. O valor é menor do que o da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no qual o cenário de referência levou em consideração uma taxa de câmbio de R$ 2,40 e taxa Selic em 8,50%.No relatório de inflação anterior, de junho, o parâmetro utilizado no cenário de referência era de R$ 2,10.

A nova cotação de R$ 2,35, incluída hoje no relatório de inflação, tem como data de corte o dia 6 de setembro. O valor é mais alto do que o do fechamento do dia de corte. Em 6 de setembro, o dólar à vista fechou em R$ 2,3070 e o dólar para outubro, em R$ 2,3175.

As projeções do BC do relatório desta segunda-feira, 30, leva em conta a meta para a taxa Selic de 9,00%. Na ata do Copom, a projeção levava em consideração uma taxa Selic de 8,50%. Em agosto, a moeda renovou valores recordes ao longo de vários dias, antes que o BC anunciasse um programa regular de intervenção.

O dólar chegou a bater a marca de R$ 2,45 - valor recorde em cinco anos. Mas, no dia 22 de agosto, o BC anunciou um programa de US$ 100 bilhões para dar liquidez ao mercado cambial, o que freou a subida da moeda norte-americana.

A medida ocorreu poucos dias antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 28, que elevou de 8,5% para 9% a taxa Selic. Em setembro, o dólar recuou mais com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de manter inalterado os estímulos à economia dos Estados Unidos.

O valor determinado pelo colegiado para constar no relatório é mais alto do que ao da cotação do dia de corte, o que, na prática muda a ação do BC para o uso dessas projeções, que vinha usando valores mais baixos.

Nos últimos meses, o Broadcast vem ressaltando a decisão da autoridade monetária de optar por utilizar parâmetros para suas projeções distantes das variáveis de mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de março, os valores considerados para o cenário de referência foram de R$ 1,95 para a taxa de câmbio e de 7,25% para a taxa Selic.

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