Washington da Costa/ME
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Brasil cria 1,5 milhão de vagas com carteira assinada no 1º semestre deste ano, aponta Caged

Para economistas, geração de novos postos com carteira assinada deve continuar subindo no País, com a XP projetando criação de 150 mil vagas por mês no segundo semestre

Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2021 | 10h43
Atualizado 29 de julho de 2021 | 19h21

BRASÍLIA - Com muitos empregados ainda "blindados" pelo programa que permitiu às empresas reduzir jornada e salário ou suspender contratos, o mercado de trabalho formal gerou 1,5 milhão de vagas no primeiro semestre deste ano. No mesmo período de 2020, quando houve mais restrições à mobilidade por causa da pandemia, foram destruídos 1,9 milhão de postos.

Para economistas, a geração de vagas com carteira assinada deve continuar apresentando bons resultados nos próximos meses como resultado da reabertura da economia, da confiança dos empresários na retomada econômica e na manutenção do consumo. O ritmo, no entanto, deve ser menor.

Pelos cálculos da XP, no primeiro semestre, a criação de postos formais foi, em média, de 220 mil por mês. Para o segundo semestre, segundo o economista Rodolfo Margato, a expectativa é de geração de 150 mil vagas por mês. No ano, a XP conta com abertura de 2,18 milhões de empregos com carteira assinada. 

A consultoria LCA revisou as projeções hoje, com a divulgação do resultado de junho - que mostrou abertura de 309 mil vagas. Agora, de acordo com o economista Bruno Imaizumi, a expectativa é que o ano termine com geração de 2,3 milhões de vagas - a projeção anterior era de 2 milhões. "A tendência do mercado de trabalho é de recuperação, mas os números estão superestimados porque bastante gente está dentro da garantia provisória do BEm", afirmou.

 


O BEm é o programa que permite às empresas reduzir a jornada e os salários ou suspender os contratos. Os trabalhadores atingidos recebem um benefício pago pelo governo. Para cada mês no programa, o empregado tem o mesmo período de proteção à sua vaga. O programa foi relançado em abril pelo governo por mais quatro meses neste ano.  

Em junho, 3,558 milhões de trabalhadores seguiam com garantia provisória de emprego em junho graças às adesões em 2020 ou 2021 - isso equivale a pouco menos de 10% do total dos trabalhadores com carteira assinada do País. Pelos cálculos da LCA, 60% desse contingente estão protegidos pela adesão ao BEm no ano passado. 

"O saldo positivo foi influenciado por duas vias: redução marginal do número de desligamentos, consequência da renovação do BEm ao longo dos últimos meses, e aumento gradual da confiança dos agentes e empresários", disse a economista Lisandra Barbero, do Banco Original. Segundo ela, o movimento de contratações é mais intenso onde a vacinação contra a covid-19 está mais avançada. 

Outro destaque para o dado do mês foi a criação de 125,7 mil vagas pelo setor de serviços. De acordo com a economista,  a tendência é que o setor continue liderando a recuperação do mercado formal de trabalho, já que é mais beneficiado pela retomada da atividade econômica presencial. Por outro lado, há sinais de maior gradualismo na  recuperação da indústria, com criação de 50 mil postos formais em junho. A tendência, disse Barbero, é que o setor continue entre os mais fragilizados nos próximos meses, por problemas com as cadeias de suprimentos. Com a recuperação dos serviços e do varejo, o Banco Original espera saldo de 1,5 milhão de vagas criadas em 2021, mesmo que os próximos meses possam apresentar uma redução marginal dos números.

“Estamos criando 1 milhão de empregos a cada três meses e meio ou quatro meses”, comemorou o ministro da Economia, Paulo Guedes. “Se pegarmos os últimos 12 meses, geramos 2,8 milhões de novos empregos. O mercado formal atinge agora pela primeira vez desde 2015/2016 o patamar dos 40,8 milhões de empregos”.

Divisão no ministério

Esta foi a última divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) sob o guarda-chuva de Guedes. O presidente Jair Bolsonaro oficializou esta semana no Diário Oficial da União a recriação do Ministério do Trabalho e Previdência, que será chefiado pelo ministro Onyx Lorenzoni. O desmembramento do Ministério da Economia teve o objetivo de acomodar a nomeação do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), líder do Centrão, como ministro-chefe da Casa Civil.

Segundo Guedes, caberá à equipe do novo ministério anunciar em breve o lançamento do programa que pretende dar bolsa de R$ 550 para qualificação de até 2 milhões de trabalhadores. “Onyx vai lançar ainda o serviço social voluntário, que também permitirá a inclusão de jovens, onde a faixa de desemprego é muito alta”, disse Guedes. “O Ministério do Trabalho seguirá com o ministro Onyx na mesma direção, totalmente alinhado”.

O secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Previdência, Bruno Bianco, confirmou que o governo buscará recursos no Sistema S para bancar o novo programa do emprego. No entanto, ele não forneceu detalhes sobre a formatação do novo programa e os valores envolvidos. “Não será nada complexo. Vamos criar algo simples que não burocratiza e gera emprego para jovens também nos ambientes públicos”, limitou-se a responder. /COLABORARAM CÍCERO COTRIM E THAÍS BARCELLOS, DE SÃO PAULO 

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