Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Brasil cria 401 mil vagas com carteira assinada em fevereiro, aponta Caged 

De acordo com o Ministério da Economia, esse é o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica em 1992, ou seja, em 30 anos

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2021 | 11h05
Atualizado 30 de março de 2021 | 23h25

BRASÍLIA - O Brasil criou 401.639 empregos com carteira assinada em fevereiro deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta terça-feira, 30, pelo Ministério da Economia

O resultado do mês passado decorreu de 1,694 milhão de admissões e 1,292 milhão de demissões. Em fevereiro de 2020, houve a abertura de 225.648 postos com carteira assinada a mais do que demissões.

Desde janeiro do ano passado o uso do Sistema do Caged foi substituído pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) para parte das empresas, o que traz algumas diferenças na comparação com resultados dos anos anteriores. 

Além de reunir mais informações na mesma base de dados, o novo Caged tornou obrigatório informar a admissão e demissão de empregados temporários, modalidade criada na reforma trabalhista. Antes, essa comunicação era facultativa. Dessa forma, não há como fazer a comparação com dados anteriores a janeiro de 2020 porque as bases de dados são distintas. 

A maior parte do mercado financeiro já esperava um avanço no emprego no mês, mas o resultado veio bem acima do teto das estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast.  As projeções eram de abertura de 150.000 vagas a 283.936 vagas em fevereiro.

No acumulado dos dois primeiros meses de 2021, o saldo do Caged é positivo em 659.780 vagas, bem acima do registrado no primeiro bimestre do ano passado, quando foram criados 277.517 postos formais. 

O Caged trata apenas do mercado formal, com carteira. O número também está sob o impacto do programa do governo que permitiu às empresas cortarem salários e jornadas e suspenderem os contratos. Como contrapartida, o governo dificultou as demissões pelo mesmo número de meses em que os trabalhadores foram atingidos com uma das duas possibilidades (a da redução na jornada e salário ou a da suspensão dos contratos).

O programa se encerrou em dezembro, mas os trabalhadores ainda continuam "protegidos" em 2021 caso tenham sido afetados em 2020. Segundo números do Ministério da Economia, 3,3 milhões de empregados estavam com essa "garantia provisória" em fevereiro. Parcela deles vai continuar com essa "proteção" até agosto.

Já o mercado de trabalho brasileiro é formado, na sua maior parte, pelo trabalho informal - daí a diferença com os números do IBGE.

Setores

A abertura de vagas em fevereiro se deu em todos os setores, mas foi puxada pelo desempenho de serviços, com a criação de 173.547 postos formais, seguido pela indústria geral, que abriu 93.621 vagas.

Já o comércio abriu 68.051 vagas, enquanto houve um saldo de 43.469 contratações na construção civil em fevereiro. Na agropecuária, foram criadas 23.055 vagas no mês.

No segundo mês do ano, 24 Unidades da Federação registraram resultado positivo e apenas três tiveram saldo negativo. O melhor resultado foi registrado em São Paulo com a abertura de 128.505 postos de trabalho. Já o pior desempenho foi o do Amazonas, que registrou o fechamento de apenas 625 vagas em fevereiro.

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada passou de R$ 1.774,57, em janeiro, para R$ 1.727,04 em fevereiro.

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