Nilton Fukuda/Estadão
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Brasil cria mais de 99 mil vagas com carteira assinada em novembro, aponta Caged

Esse foi o oitavo mês consecutivo de abertura de postos de trabalho formais e o melhor resultado para o mês desde 2010

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 14h28
Atualizado 19 de dezembro de 2019 | 22h17

Puxado pelo bom desempenho dos setores de comércio e serviços, o mercado de trabalho brasileiro criou 99.232 empregos com carteira assinada em novembro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério da Economia.

Esse foi o oitavo mês consecutivo de abertura de vagas formais. Novembro costuma ter resultados positivos com as contratações temporárias de fim de ano, mas o desempenho neste ano foi o melhor para o mês desde 2010, quando foram abertos 138.247 postos de trabalho.

No acumulado de janeiro a novembro de 2019, o saldo do Caged foi positivo em 948.344 vagas, o melhor desempenho para o período desde 2013, quando a abertura de vagas chegou a 1,546 milhão, na série com ajustes. Em 12 meses até novembro, houve abertura de 605.919 postos de trabalho. 

Para o economista sênior do banco ABC Brasil, Daniel Xavier, o resultado de novembro surpreendeu e veio acima das expectativas do mercado. Segundo ele, todos os indicadores de tendência de médio prazo vieram positivos e com viés de aceleração. “Isso corrobora nosso cenário de retomada de atividade econômica”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro disse, na tarde de ontem, durante live, que espera encerrar o ano com a criação de 1 milhão de novos postos de trabalho. “De janeiro a novembro, estamos com 950 mil novos empregos. Então, com toda certeza como falta o mês de dezembro ainda, devemos bater um milhão de novos empregos.” Embora os números mostrem que a meta está próxima, o mês de dezembro costuma registrar um saldo negativo, com mais demissões do que contratações. Bolsonaro lembrou, porém, a situação de desemprego de grande parte da população. “Ainda vamos continuar com quase 12 milhões de desempregados, é muita gente.” 

O resultado do mês foi puxado pelo comércio, que gerou 106.834 postos formais, seguido pelo setor de serviços, que abriu 44.287 vagas de trabalho. Já os serviços industriais de utilidade pública abriram 419 vagas em novembro. O desempenho de comércio e serviços foi mais do que suficiente para compensar o fechamento de vagas em praticamente todos os outros setores no mês.

Comércio e serviços lideraram o emprego formal em 2019 e vão continuar assim em 2020”, avaliou o economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Não esperamos entrada muito boa na indústria, que cresce na produção, mas cai na geração de emprego.”

Informalidade

Apesar do volume positivo de criação de vagas com carteira assinada em novembro, o Banco Central divulgou ontem um estudo mostrando que o processo de recuperação do mercado de trabalho observado nos últimos anos no Brasil tem se apoiado, principalmente, no setor informal.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Banco Central ponderou que isso tem ocorrido de forma diferente do observado no ciclo de expansão da economia que ocorreu antes da última recessão. Para a instituição, o movimento “pode estar associado não apenas ao gradualismo que caracteriza a retomada da atividade econômica, mas também a fatores tecnológicos que ampliaram as possibilidades de se ofertar trabalho autonomamente”.

Nos últimos anos, de fato, têm proliferado no Brasil atividades de prestação de serviços ligadas ao uso da tecnologia, como no caso dos motoristas de aplicativos. “Ademais, trabalhadores do setor informal, em geral, trabalham menos horas por semana e recebem menos por hora trabalhada, e isso tem impacto em medidas de produtividade do trabalho usualmente computadas, que ignoram esses fatores”, acrescentou o BC. / COLABORARAM BÁRBARA NASCIMENTO e ANDRÉ ÍTALO ROCHA

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