Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Brasil criou 115.989 empregos em abril, abaixo da média histórica do mês

Geração de vagas é a mais elevada desde o início da recuperação do mercado de trabalho no ano passado, mas abaixo da média para o mês, de 122,4 mil; de janeiro a abril foram criadas 336.855 vagas

Daniel Weterman, Maria Regina Silva, Thaís Barcellos e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 13h56

O Brasil criou 115.898 postos de trabalho com carteira assinada em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Trata-se do melhor resultado para o mês em cinco anos.

Quando o País cria vagas de trabalho significa que as contratações superaram as demissões no mês. O número de abril superou as 56.151 vagas abertas em março, mas ficou dentro das expectativas de economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam criação de 115 mil postos novos no mês passado. O resultado apurado está abaixo da média histórica de abril, que é de 122,4 mil.

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Para o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, no entanto, o dado “não empolga” pois o mês de abril costuma ser mais forte no mercado de trabalho. Ele calcula que, ao excluir os chamados efeitos sazonais, foram geradas somente 20 mil vagas formais, menos do que os 29 mil gerados em março. 

Para Donato, a confiança baixa continua inibindo retomada forte da atividade e consequentemente do mercado de trabalho, principalmente por conta da incerteza eleitoral. “Não sabemos quem vencerá a eleição tampouco temos a garantia de que o vencedor, caso seja reformista, vá adotar as medidas necessárias”, avalia. 

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O presidente Michel Temer, por outro lado, comemorou o resultado e fez uma análise diferente: “É inquestionável. Tivemos cerca de 115 mil empregos de carteira assinada criados em abril. Os defensores da crise perderam. O otimismo voltou”, disse o presidente.

Nos quatro primeiros meses deste ano, foram criados 336.855 empregos com carteira assinada. Já nos últimos 12 meses, segundo o Ministério do Trabalho, foi registrada a criação de 283.118 postos de trabalho formais.

Os números do governo revelam que, em abril, houve abertura de vagas em todos oito setores da economia. O maior número de empregos criados foi no setor de serviços. O resultado, diz o ministério, reforça “o quadro de otimismo para o emprego”. O órgão também afirma que houve saldo positivo em 22 Estados, sendo os maiores saldos em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O saldo foi negativo em Alagoas, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Amazonas e Rio Grande do Norte.

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Trabalho intermitente. Segundo o ministério, houve saldo positivo de 3.601 empregos de contratos de trabalho intermitente, nova configuração trazida pela reforma em vigor desde novembro. Nessa modalidade, o trabalhador é remunerado pelo período trabalhado. Um dos argumentos do governo para aprovar a mudança na CLT era de que essa modalidade geraria 2 milhões de empregos formais em três anos. 

Salário. Os salários dos trabalhadores contratados com carteira assinada no mês de abril subiram 1,22% na comparação com o observado em março. Segundo o Caged, o valor médio ficou em R$ 1.532,73 no mês passado - cifra R$ 18,47 maior que o do mês anterior.

O salário dos demitidos também subiu: cresceu 1,5% ante março, para R$ 1.688,34. Por região, o dado divulgado pelo Ministério do Trabalho indica que as cinco regiões do País apresentaram saldo de emprego positivo.

O sudeste liderou com 78.074 novas vagas de trabalho. Em seguida, apareceram o centro-oeste (15.769 postos), sul (13.298), nordeste (4.447) e norte (4.310). Por Estado, 22 tiveram saldo positivo no emprego. Os maiores saldos de emprego ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Por outro lado, Alagoas, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Amazonas e Rio Grande do Norte destruíram empregos no mês passado.

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