WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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Brasil criou 623 mil vagas de emprego formal em 2014, pior resultado desde 1999

O cenário em 2015 não demonstra que o saldo positivo do ano passado vai se repetir, uma vez que nos sete primeiros meses deste ano foram fechadas 494 mil vagas de trabalho

Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 16h49

Atualizado às 18h

BRASÍLIA - O Brasil gerou 623.007 vagas formais de emprego em 2014, o pior resultado anual desde 1999. O número divulgado nesta quarta-feira, 9, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) faz parte da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Houve crescimento de 1,27% no estoque de trabalhadores em 2014, na comparação com o ano anterior. De acordo com o MTE, o resultado aponta uma perda de dinamismo na geração de vagas. Em 2013, o crescimento do estoque foi de 3,14%.

O cenário em 2015 não demonstra que o saldo positivo do ano passado vai se repetir. O dado mais recente disponível mostra que somente nos sete primeiros meses deste ano foram fechadas 494 mil vagas de trabalho, segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também divulgado pelo MTE. Número que, para o ministro Manoel Dias, é preocupante. "Queremos restabelecer aquele período áureo em que geramos empregos, aumentamos a renda", afirmou.

Dias afirmou que o saldo de empregos formais de agosto, que será apresentado no final da próxima semana, deve ser negativo. Dias espera que os números do Caged do mês passado apresentem uma queda menos intensa que a registrada em julho, quando houve retração de 158 mil postos.

O ministro disse que o número preocupa, mas ponderou que o governo vem tomando medidas para reverter o quadro. "Estou entre os otimistas, embora muitos achem que sou muito ingênuo, mas sou otimista, porque se você fizer uma análise de conjuntura da economia brasileira e o que o País hoje representa no mundo, não tem como você entender que o Brasil vai piorar muito mais", disse. 

Dias destacou que o governo Dilma Rousseff criou 5 milhões de empregos, somando os resultados anuais da RAIS desde 2011 com o saldo do Caged até julho deste ano. "Um número superior à soma dos governos Itamar, Collor e os dois governos de Fernando Henrique Cardoso", disse.

Setores. A indústria foi o setor com o pior desempenho na geração de empregos formais em 2014. No ano passado, o setor fechou 121,7 mil vagas.

De acordo com o MTE, houve queda em 11 das 12 áreas que integram a indústria de transformação. O único ramo com desempenho positivo foi o da indústria de produtos alimentícios, com crescimento de 2,2%.

O levantamento mostra, entretanto, que cinco dos oito setores da economia apresentaram saldo positivo no ano passado. O destaque ficou com o setor de serviços, que criou 587 mil vagas, seguido do comércio, que abriu 217 mil novos postos.

Regiões. Na separação regional, o Nordeste apresentou o melhor resultado, com a abertura de 206 mil vagas em 2014. O Sudeste ficou na segunda posição, tendo criado 169 mil empregos, seguido da região Sul, com 135 mil vagas. O Norte teve saldo positivo de 58 mil empregos e o Centro-Oeste gerou 54 mil vagas.

Os Estados que mais criaram empregos em 2014 foram São Paulo (87 mil), Santa Catarina (63 mil), Bahia (57 mil) e Ceará (56 mil). A única unidade federativa que fechou vagas no ano passado foi o Amazonas, com menos 1,5 mil postos formais.

Com relação à remuneração dos trabalhadores de cada Estado, o Distrito Federal aparece na liderança dos maiores salários do País, com média de R$ 4.384,44 em dezembro do ano passado. O segundo lugar ficou com Rio de Janeiro, que apresentou remuneração média de R$ 2.901,73, seguido do Amapá (R$ 2.856,38) e de São Paulo (R$ 2.740,42). A pior remuneração do País foi recebida pelos trabalhadores do Ceará, que tiveram rendimento médio mensal de R$ 1.779,11. 

MINUTO ESTADÃO. Queda no consumo derruba emprego no Brasil

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