Brasil critica redação de proposta da OMC

O embaixador brasileiro Luis Felipe Seixas Corrêa, que participa das negociações da Organização Mundial da Comércio (OMC) em Genebra, disse que o Brasil não está satisfeito com o texto do rascunho apresentado nesta sexta-feira. Segundo a delegação brasileira, o texto não reflete o acordo fechado nos três dias de reunião entre o Brasil, a Índia, os Estados Unidos, a União Européia e a Austrália. Os pontos de divergência se referem justamente aos subsídios domésticos usados pelos países ricos, principalmente pelos Estados Unidos, para proteger os seus agricultores. O Brasil e a Índia haviam defendido uma revisão do tema, propondo uma redução no limite dos subsídios que podem ser oferecidos aos agricultores.Representantes dos cinco negociadores - que formam o que ficou conhecido como NG5, ou ´não grupo dos cinco´, uma indicação de que os países negociadores não concordam em vários temas - voltaram a se reunir nesta sexta-feira para continuar as negociações que tentam avançar a Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial.Já no início da reunião, o embaixador Luis Felipe Seixas Corrêa deixou claro que não estava satisfeito com o texto e que o Brasil não poderia aceitar a inclusão desse subsídios domésticos da forma como está. Segundo ele, esse é um aspecto do acordo que o Brasil não estaria disposto a aceitar.Final das negociaçõesAnalistas afirmam que o fato de o rascunho não refletir a posição do Brasil e da Índia pode ser uma indicação de que o redator do rascunho tenha sofrido pressão dos países ricos para manter o item dos subsídios no texto.A reunião de Genebra está prevista para terminar à meia-noite desta sexta-feira, mas já se fala em um possível prolongamento do prazo.A delegação suíça, que não está satisfeita com o acordo por outros motivos, afirmou que as discussões poderiam continuar no sábado e até mesmo no domingo.

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