Brasil dá sinal verde à França para retomada de Angra 3

A ministra de Comércio Exterior da França, Christine Lagarde, obteve nesta sexta-feira um sinal favorável do governo brasileiro à retomada do projeto Angra 3, de geração de energia nuclear. A França pleiteia que companhia Areva, de capital francês, conduza a possível construção da usina, que demandará um investimento de R$ 7,2 bilhões.Lagarde tratou do tema com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que coordenou a elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e que é a principal responsável pela implementação do pacote. A usina de Angra 3 foi indiretamente incluída no capítulo do PAC que trata da elevação da geração de energia elétrica no País."Nossas perspectivas de parceria irão muito além de Angra 3", resumiu Lagarde, ao lado do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que atua com Roussseff na implementação do PAC. "Concluímos que é conveniente realizar estudos de curto, médio e longo prazos nessa área. Tudo foi muito positivo", completou a ministra francesa, que visitará hoje as usinas de Angra 1 e Angra 2 (RJ) e receberá informações mais profundas sobre o projeto de Angra 3.Mais cauteloso, Paulo Bernardo afirmou que o governo decidirá sobre a retomada ou não do projeto de Angra 3, paralisado há 20 anos, somente depois da conclusão de estudos técnicos. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) esquivou-se de incluir a discussão sobre Angra 3 nas suas últimas reuniões, dado o caráter polêmico da questão. Paulo Bernardo, entretanto, confirmou que a previsão de geração de energia em Angra 3 - 1.350 Megawatts - foi contabilizada no PAC. A usina é mencionada em um texto anexo do Programa, que não chegou a ser distribuído para a imprensa. O lobby francês em favor da recuperação desse projeto pelo governo brasileiro e, especialmente, da execução das obras pela empresa Areva tornou-se mais forte desde o ano passado, quando o presidente da França, Jacques Chirac, visitou o Brasil. No seu encontro com Dilma Rousseff, Lagarde estrategicamente trouxe consigo a presidente da empresa francesa, Anne Lauvergeon, que a acompanhará hoje nas visitas às usinas de Angra. Atualmente, 85% da energia elétrica da França é gerada em usinas nucleares. As principais delas foram construídas ou ampliadas pela Areva, que hoje atua em parceria com a Siemmens.

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