Brasil decide nas próximas semanas se ingressa no Clube de Paris

O governo brasileiro vai decidir nas próximas semanas se ingressará no Clube de Paris, grupo informal de países credores. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a decisão será tomada a nível ministerial. "Não sabemos ainda", afirmou. "Estamos avaliando as vantagens e as restrições que resultariam da nossa entrada no clube, se isso traria um saldo positivo para o Brasil."No início deste ano, o governo brasileiro praticamente quitou sua dívida junto ao Clube de Paris, antecipando o pagamento de US$ 1,7 bilhões. Segundo Mantega, até o final deste mês o País pagará outros cerca de US$ 20 milhões que ainda não foram pagos. "São resíduos da dívida que levaram tempo para serem calculados", disse. "Passamos da posição de devedor para credor."Caso decida ingressar no clube, o Brasil apresentará um pedido formal e terá que ser convidado por um dos atuais sócios. Mantega disse que o ministro das Finanças da França, Thierry Bretton, durante sua visita ao Brasil no mês passado, indicou que o governo francês estaria disposto a apresentar esse convite.Mantega argumentou que a participação do Clube de Paris na renegociação da dívida da Polônia e Nigéria junto ao Brasil "beneficiaram todas as partes envolvidas." Em contrapartida, citou um exemplo de um aspecto potencialmente negativo da participação no grupo. "O clube poderia conceder um perdão de 100% da dívida de um país e podemos não concordar com isso", disse. "Mas o Brasil poderia incluir ressalvas na sua adesão."G-8O ministro viaja nesta quinta para São Petersburgo, onde participará na sexta-feira e sábado da reunião dos ministros das Finanças do G-8, como convidado. Num discurso que fará durante o encontro, Mantega ressaltará a necessidade da comunidade internacional criar mecanismos inovadores para financiamento dos países mais pobres.Como exemplo, ele citou o imposto sobre passagens aéreas, proposto pelo presidente Lula e o presidente francês Jacques Chirac. Na França, a taxa deverá ser cobrada a partir de julho e no Brasil um projeto de lei está tramitando com esse objetivo. "Outros 48 países já manifestaram simpatia a essa proposta e acreditamos que ela será ampliada", disse.As negociações da rodada multilateral da Organização Mundial de Comércio também vão dominar a agenda de Mantega na Rússia, que incluirá uma reunião bilateral com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow.

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