finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Brasil defende acordo em três frentes na reunião da OMC em Bali

O Brasil não considera aceitável qualquer acordo em Bali que não inclua as três áreas que estão sendo negociadas - facilitação do comércio, agricultura e desenvolvimento comercial para os países mais pobres -, e é com esse espírito que o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, chega neste final de semana à Indonésia para a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h12

"Não acho viável fechar apenas uma frente. Queremos os três. Não é o resultado ideal sair só com uma das áreas do pacote de Bali", afirmou ontem antes de viajar. "Nós coordenamos o grupo do G-20, dos países em desenvolvimento, que vê as coisas de forma muito parecida."

Não seria aceitável para os países em desenvolvimento como um todo um resultado que seja apenas um lado. O atual estado das coisas, no entanto, não dá margem a que se pense nem mesmo em uma área a ser fechada. Depois de 150 horas em negociações extensas, na última terça-feira, o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, admitiu: as negociações chegaram a um impasse e, em Genebra, na sede da organização, os negociadores foram incapazes de cruzar a linha final.

A avaliação de Azevêdo é que será quase impossível fechar os textos nas três áreas numa negociação entre mais de 100 ministros. As áreas "com colchetes" - aquelas em que a negociação não está fechada - são "muitas e de natureza muito técnica".

Esforço. Apesar da avaliação de Azevêdo e de reconhecer os impasses, o ministro brasileiro se diz "cautelosamente otimista". "A situação não está boa. Mas, se for feito um esforço político verdadeiro, é possível obter resultados", disse. A reunião de Bali vem sendo tratada como o recomeço ou a pá de cal na Rodada Doha de liberalização do comércio. Iniciada em 2001 e praticamente abandonada desde 2011, a rodada empacou em entraves infinitos sobre ceder mais ou menos e trocas de acusações múltiplas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O pacote de Bali, que negocia a padronização de normas aduaneiras e a facilitação de exportações dos países mais pobres - entre outras dezenas de detalhes -, não pretende ser o que Doha não foi. Mas, se tiver sucesso, vai mostrar que é possível voltar à mesa de negociação em temas mais amplos.

"Fechar esse pacote seria a primeira grande conquista da OMC em muitos anos. É um progresso enorme. Não conseguir é a manutenção de uma situação que ninguém quer", avaliou Figueiredo. Chegou-se tão perto, no entanto, que já há quem diga que as tentativas não se esgotam em Bali, entre 3 e 6 de dezembro.

Figueiredo garante não trabalhar com plano B, mas já há quem fale em continuar as negociações após Bali para tentar fechá-las no primeiro trimestre de 2014, em Genebra. "Eu nunca falo em plano B em negociações, mas tem-se falado. Porque as negociações estão indo bem, então ninguém quer matar tudo aquilo por causa de uma data", disse. "É um sinal de que há engajamento."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.