Brasil defenderá alta do PIB no G-20, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff disse hoje que a posição que o Brasil levará à reunião de cúpula do G-20, que começa nesta quinta-feira em Cannes, na França, é a de que os países proponham medidas financeiras urgentes e emergenciais e um plano de sustentação do crescimento e do emprego. Na avaliação dela, caberá ao G-20 ajudar a restabelecer a confiança no retorno do crescimento, especialmente das economias desenvolvidas.

ANNE WARTH, Agencia Estado

31 de outubro de 2011 | 23h33

"Inegavelmente a solução imediata da crise, apesar de ser responsabilidade dos países avançados, e neste momento particularmente dos europeus, não pode fechar os olhos para o fato de que se todos fizerem ajustes recessivos a situação de recessão terá uma profecia autorealizável", afirmou, em discurso, durante a cerimônia de premiação "As Empresas Mais Admiradas do Brasil", promovida pela revista Carta Capital, na em São Paulo.

A presidente citou a própria experiência brasileira no enfrentamento da crise de 2008 como exemplo a ser seguido: "Sabemos, pela nossa própria experiência que, na ausência de crescimento, é impossível alcançar efetivamente a sustentabilidade fiscal. O avião não voa." Dilma disse estar convencida de que parte da solução da crise está no foco ao crescimento, na redução das desigualdades e na adoção de políticas fiscal e monetária responsáveis.

Ela fez questão de deixar claro que a guerra cambial também não ajudará os países a superar a crise. "Nós vamos deixar claro na reunião do G-20 que não acreditamos que a crise será efetivamente superada com guerra cambial e com a velha receita pura e simples da recessão e do desemprego", afirmou.

Segundo Dilma, a reunião do G-20 ocorre num momento crucial, de grandes dificuldades e soluções imprevisíveis. "Sabemos o quanto é importante que as soluções não tardem", disse ela, criticando a demora da União Europeia em oferecer uma solução para a dívida soberana e para a fragilidade do sistema bancário do bloco.

A presidente lembrou que, recentemente, o mercado interbancário europeu se paralisou e que hoje é mais difícil e mais caro o financiamento das transações comerciais. De acordo com ela, os países emergentes, embora ainda sustentem o crescimento da economia mundial, sentem os efeitos indiretos do encolhimento de mercados avançados, o que contrai o comércio externo.

Apesar disso, o Brasil tem sido um dos menos atingidos, na avaliação da presidente, que ressaltou que o País possui solidez nas contas públicas, no setor financeiro e um grande mercado interno. A presidente também lembrou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro supere o do Reino Unido e que o País se torne a 6ª maior economia do mundo. "O fato é que o crescimento do Brasil é algo sobre o qual nenhum país do mundo coloca suspeita."

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