Brasil derruba resultado de montadoras

Queda de 51% nas vendas no País pesou no prejuízo de € 10 milhões da alemã MAN; Ford também creditou balanço fraco à situação no Brasil

O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2015 | 02h03

O mercado brasileiro foi um dos principais responsáveis por derrubar os resultados globais de mais duas grandes montadoras no primeiro trimestre: a americana Ford registrou um lucro 7% menor, abaixo das expectativas de mercado, e a alemã MAN, que pertence à Volkswagen, teve prejuízo de € 10 milhões entre janeiro e março. Ambas creditam o balanço fraco às dificuldades enfrentadas no País.

Na semana passada, a General Motors anunciou um lucro de US$ 945 milhões no primeiro trimestre, e uma queda de 4,5% na receita, para US$ 35,7 bilhões. A empresa disse que foi prejudicada pelo câmbio e por condições mais fracas na América do Sul, especialmente no Brasil, onde a montadora viu suas vendas caírem 30% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Ontem, a fabricante de caminhões MAN informou que suas vendas no mercado brasileiro despencaram 51% entre janeiro e março. As encomendas caíram 49%. O Brasil, junto a outros países na América Latina, respondeu por cerca de um quinto das receitas da MAN no ano passado.

O desempenho ruim representa um desafio para a Volkswagen, que busca combinar a unidade alemã com a sueca Scania, criando uma fabricante global de caminhões para competir com a líder do setor, a Daimler. A montadora dona da Mercedes-Benz disse ontem que seu lucro global cresceu 16% e suas vendas, 41% no início deste ano. Embora não tenha destacado os dados do Brasil, a companhia afirmou no relatório que espera uma queda significativa na venda de caminhões e ônibus na América Latina ao longo deste ano. No Brasil, a empresa opera com 40% de ociosidade e mantém um programa de corte de funcionários.

"Não há sinais de uma recuperação ainda no Brasil e a situação continua difícil com consequências diretas para nossas atividades de negócios na América do Sul", disse o presidente executivo da MAN, Georg Pachta-Reyhofen. A MAN teve prejuízo líquido de € 10 milhões no trimestre, ante lucro de € 28 milhões no mesmo período do ano passado. O lucro operacional teve queda de 50%, para € 34 milhões.

Pachta-Reyhofen disse esperar que o mercado brasileiro tenha contração de pelo menos um terço neste ano, mas que poderá começar a se recuperar já no terceiro trimestre. Ele não descartou a chance de a MAN registrar prejuízos no Brasil no ano inteiro.

A MAN é líder de mercado no País em caminhões de mais de 5 toneladas há 11 anos e é uma importante fornecedora de chassis de ônibus e veículos comerciais. A fábrica de Resende (RJ), contudo, opera com jornada e salários de trabalhadores reduzidos.

Automóveis. A Ford Motor reportou ontem lucro menor do que o esperado por analistas, com venda mais fraca na América do Norte, enquanto trabalha para aumentar a produção da picape F-150 e perde dinheiro na América do Sul.

A segunda maior montadora norte-americana manteve a projeção de lucro antes de impostos de US$ 8,5 bilhões a US$ 9,5 bilhões no ano. A Ford elevou a previsão para margem operacional na América do Norte para de 8,5% a 9,5%, ante 8% a 9%, mas enfatizou a piora das condições de negócios na América do Sul.

"O ambiente externo na América do Sul deteriorou se comparado com alguns meses atrás", disse o diretor financeiro da Ford, Bob Shanks.

O lucro líquido do trimestre caiu 7%, a US$ 924 milhões, ou US$ 0,23 por ação, ante US$ 989 milhões, ou US$ 0,24 dólar, um ano antes. As receitas caíram 5,6%, para US$ 33,9 bilhões, de acordo com as projeções dos analistas. / Agências Internacionais

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