Brasil desbanca Chile e é o 3º maior investidor na Argentina

Em cinco anos, brasileiros pagaram US$ 5,9 bi por empresas de diversos setores

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h48

O Brasil já é o terceiro país no ranking dos investidores diretos na Argentina, perdendo apenas para Estados Unidos e Espanha, segundo a Secretaria de Indústria do governo do presidente Néstor Kirchner. Até o ano passado, este terceiro lugar pertencia ao Chile, que perdeu o posto para os investimentos brasileiros, que totalizaram US$ 1,8 bilhão em 2006. Entre 2001 e 2006, as empresas brasileiras pagaram US$ 5,9 bilhões pela compra de companhias de diferentes setores, incluindo petróleo, carne, cerveja, cimento e têxtil, entre outros.Os dados foram publicados na revista Apertura, que chegou às bancas de Buenos Aires esta semana, com o título: Brasil, o maior da Argentina. Na matéria, pergunta-se ainda: "a conquista continuará?". Segundo diplomatas brasileiros, aumentou, nos últimos tempos, o interesse de investidores brasileiros pela compra de empresas argentinas - incluindo pequenas e médias - devido à valorização do real frente ao dólar e ao peso, a moeda da Argentina.Na opinião do economista Dante Sica, da consultoria Abeceb.com, as companhias argentinas estão sendo vendidas a preço de mercado. Para ele, os investidores brasileiros não estão de olho apenas nos preços, mas na expansão de seus negócios, na internacionalização das empresas. O diretor-geral da fábrica argentina de cimento Loma Negra, Humberto Junqueira de Farias, disse à BBC Brasil que o objetivo do grupo mineiro Camargo Correa, ao adquirir a companhia, é aumentar a presença da marca brasileira na região e ter uma cadeia própria de produção e transporte de suas mercadorias.InvestimentosUm dos principais investimentos brasileiros na Argentina foi feito pela Petrobras, que adquiriu a empresa de energia Perez Companc por cerca de US$ 1 bilhão.Outro grande investimento foi feito pela Ambev, de capitais belga e brasileiro, que hoje controla a cervejaria Quilmes. O frigorífico Swift, comprado pelo companhia brasileira Friboi, passou a ser o maior da Argentina, e a cimenteira Loma Negra, hoje do grupo brasileiro Camargo Correa, também representa uma fatia importante dos investimentos brasileiros. Outro exemplo de investimento brasileiro na Argentina é a Coteminas, que está injetando US$ 40 milhões numa fábrica de tecidos em Santiago del Estero, no nordeste do país.Todas essas empresas, símbolos da indústria argentina e com presença em outros países da América do Sul, agora são controladas por capital brasileiro. De acordo com estudo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), atualmente as transnacionais brasileiras são líderes na região. Somente no ano passado, elas investiram mais de US$ 28 bilhões no exterior.

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