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Brasil desenvolvimentista

O Brasil desfruta de uma fase otimista de crescimento econômico.

Ernesto Lozardo, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

Aos trancos e barrancos, nos últimos anos, a política econômica tem semeado o nascer do capitalismo competitivo brasileiro num Estado democrático. É descabido comparar o papel do Estado desenvolvimentista atual com o dos anos 80. O Estado assumiu o papel de assegurar a estabilidade dos preços, da atividade econômica e do sistema financeiro nacional; acumular e distribuir a renda social; manter a ordem institucional dos agentes públicos e privados e a constância do poder de compra da moeda. Essas conquistas em nada se assemelham às políticas econômicas anteriores ao Plano Real.

As políticas econômicas de Fernando Henrique Cardoso e de Lula foram distintas, porém complementares. A de FHC, por meio de inúmeras reformas - monetária, fiscal, cambial e patrimonial -, deu origem a um Brasil emergente que o capacitou a compor a sigla Brics, e a de Lula promoveu o crescimento com distribuição da renda, reduziu a pobreza e manteve a paz social.

À presidente Dilma cabe a missão de transformar o Brasil numa nação global líder, mais próspera e democraticamente madura.

Pode-se, às vezes, comparar os avanços e atrasos de um país com os de outro, para facilitar a compreensão de determinado aspecto da análise. Ao Brasil atual não cabe comparar-se com a Coreia do Sul, pois isso seria chorar sobre o leite derramado: o correto é relacionar o Brasil a um dos membros do Brics, a Índia.

O Estado indiano exerce papel similar ao do Brasil descrito acima. Politicamente, trata-se de uma democracia, mas, socialmente, no país asiático há muito mais miseráveis, elevadíssimo índice de mortalidade infantil e muitos analfabetos absolutos. Economicamente, porém, há indicadores mais fortes e mais promissores que os do Brasil.

A composição da produção brasileira assemelha-se à da Índia. Os setores agrícola, industrial e de serviços, em porcentagem da produção total, estão distribuídos de forma muito similar: agricultura em 6% do Produto Interno Bruto (PIB); indústria, 27% do PIB; e serviços, 69% do PIB. Há, no entanto, uma diferença: enquanto o setor industrial indiano se mantém em torno de 27% do PIB, o porcentual brasileiro é cadente, passou de 28% para 26%. A base de sustentação da expansão do setor de serviços, bem como a eficiência produtiva do setor agrícola dependem da capacidade de competitividade do setor industrial.

No Brasil, o setor industrial está perdendo dinamismo comercial por falta de uma política industrial inovadora, apoiada em política tributária globalmente competitiva, como ocorre na Índia.

A modernidade de um país se mede pela sua competitividade global. A Índia, até meados dos anos 2000, apresentou nível de abertura comercial semelhante ao brasileiro, em torno de 26% do PIB, e atualmente esse porcentual indiano saltou para 50% do PIB. A economia brasileira continua pouco competitiva e fechada.

A base de sustentabilidade do crescimento econômico é maior na Índia. No Brasil, o nível de poupança e investimentos, em porcentagem do PIB, se mantém estacionado em 18% há décadas. Isso limita a possibilidade de o Brasil crescer acima de 4,5% ao ano. A Índia tem uma taxa de poupança e investimentos em torno de 34% do PIB, o que possibilitou que aquele país triplicasse sua economia nos últimos 15 anos. A brasileira nem sequer dobrou no mesmo período. Portanto, a economia brasileira foi a que menos cresceu entre os Brics.

O principal desafio da política econômica brasileira no governo Dilma será o de criar condições para dobrar o nível de poupança e de investimentos, como faz a Índia, que investirá US$ 1 trilhão em infraestrutura nos próximos cinco anos.

PROFESSOR DE ECONOMIA DA EAESP-FGV, É AUTOR DO LIVRO "GLOBALIZAÇÃO: A CERTEZA IMPREVISÍVEL DAS NAÇÕES"

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