Brasil despenca na lista de emergentes com varejo mais atraente

País caiu da 8ª para 20ª posição no ranking da consultoria americana A.T. Kearny, que avalia o mercado de consumo de 30 países em desenvolvimento

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2016 | 18h12

SÃO PAULO - O Brasil despencou no ranking global dos países em desenvolvimento com mercado varejista mais atraente aos olhos de investidores internacionais. Em apenas um ano, o País  caiu doze posições: estava no 8º lugar em 2015 e, neste ano, ocupa o 20º, aponta pesquisa da consultoria americana A.T. Kearny.  Foi o terceiro ano consecutivo que o Brasil perdeu importância na lista dos mercados varejistas com maior potencial vendas.

 O topo continua com  a China que, apesar da desaceleração do ritmo de crescimento, voltou à liderança no ano passado. A Índia ocupa neste ano a vice-liderança do ranking. O país ascendeu a essa posição por causa do crescimento rápido, melhor ambiente regulamentação e facilidade de fechar negócios.

Para elaborar o ranking, a consultoria avaliou 25 variáveis de cada país, reunidas em quatro grupos: atratividade do mercado, risco econômico e político, saturação do mercado e em quanto tempo novos players estarão presentes na região. Ao todo foram avaliados 30 países.

Instabilidades na política e na economia brasileira que culminaram com perda do grau de investimento por várias agência de classificação de risco e o processo de impeachment da presidente da República Dilma Rousseff são os principais fatores apontados pela consultoria para o rebaixamento  no índice de varejo global. Neste ano, o Brasil ficou atrás da Nigéria, Argélia e República Dominicana entre os países em desenvolvimento com maior potencial de consumo.

O momento difícil que o Brasil atravessa se refletiu na queda de quase 4% de todas as riquezas produzidas (PIB) no ano passado. Para este ano, a perspectiva é de que ocorra uma retração do mesmo tamanho. Também  a inflação em alta, que bateu dois dígitos em 2015 e ainda continua em níveis elevados para este ano, somada ao desemprego recorde são um balde de água fria no mercado de consumo. As vendas no varejo brasileiro recuaram 4,3% em relação ao ano anterior e registraram a maior retração desde o início da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2001.

Nos tempos áureos de crescimento da economia, o Brasil chegou a ser o “queridinho” dos mercados emergentes e ocupou a primeira posição no ranking da consultoria entre 2011 e 2013. Apesar da perda de posições, o mercado brasileiro é importante em razão da sua população. São 205 milhões de pessoas que movimentam no varejo US$ 445 bilhões ´por ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.