Jonathan Ernst/ Reuters
Jonathan Ernst/ Reuters
Imagem Fábio Alves
Colunista
Fábio Alves
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Brasil desperdiça oportunidade de aproveitar a trégua dada pelo Federal Reserve aos mercados globais

Após anúncio do 'tapering', investidores olharam para Bolsas de países desenvolvidos como ativos de riscos com melhores perspectivas de ganhos; enquanto isso, Ibovespa tem desempenho negativo em meio à piora na percepção do risco fiscal

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2021 | 04h00

O tão temido início da redução de estímulos monetários nos Estados Unidos, adotados desde o começo da pandemia de covid pelo Federal Reserve (Fed), acabou dando um novo impulso às bolsas de valores americanas e de outros países desenvolvidos, em vez de ser gatilho de uma fuga generalizada pelos investidores globais para a segurança do dólar e de outros ativos considerados um porto seguro em tempos turbulentos.

Com a recuperação da economia americana, as pressões sobre a inflação dos EUA estão cada vez maiores, forçando o Fed a diminuir os estímulos e anunciar na sua reunião de política monetária, na semana passada, o chamado “tapering”, ou a redução no volume de compras de títulos do Tesouro e de papéis lastreados em hipotecas imobiliárias, no valor de US$ 15 bilhões por mês.

O nervosismo acerca do anúncio era acontecer uma repetição do episódio conhecido como “taper tantrum”, quando o Fed abalou os mercados globais em 2013 ao sinalizar abruptamente que iria encerrar as compras de ativos para reduzir a liquidez na economia americana na época.

Mas, ao anunciar, na semana passada, o início do tapering, o Fed adotou um tom bem mais suave em relação a esse processo, deixando claro que será paciente em relação ao próximo passo da política monetária esperado pelos investidores, o da alta de juros.

O temor é de que, ao contrário da redução na compra de ativos, uma primeira alta de juros afugentará os investidores de bolsas, de moedas de países emergentes e de outros ativos de risco com uma redução forte na liquidez internacional.

Desta vez, o risco de um taper tantrum à la 2013 é baixo. Lá atrás, a comunicação do Fed foi confusa. Agora, o Fed tem sido cuidadoso em telegrafar sua decisão e não alimentar apostas mais agressivas para a primeira alta de juros, atualmente para junho de 2022. Com isso, os investidores olharam para as bolsas de países desenvolvidos como os ativos de riscos com melhores perspectivas de ganhos.

Nos EUA, o índice S&P 500 avançou 1,5% nos primeiros quatro pregões que se seguiram à decisão do Fed. O Nasdaq subiu 2,1%. Na bolsa de Paris, o índice CAC 40 ganhou 1,7% no período. Já o Ibovespa perdeu 0,3% em meio à piora na percepção do risco fiscal.

Ou seja, o Brasil está desperdiçando a oportunidade de aproveitar a trégua dada pelo Fed aos mercados globais. Mas, se – pressionado pela inflação – o Fed acelerar o ritmo de redução de compras de ativos nas próximas reuniões, antecipando, por tabela, a alta de juros, o chilique pode ser grande. 

* COLUNISTA DO BROADCAST

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.