carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Brasil deve aprender a defender empresas, diz presidente do Cebri

O Brasil precisa aprender a defender as suas empresas. A avaliação foi traçada nesta sexta-feira pelo presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do País na Argentina, José Botafogo Gonçalves. Ele explica que o crescente movimento de internacionalização das firmas brasileiras levará a novos conflitos no exterior e que o episódio na Bolívia deve servir de aprendizado para futuros casos."O lado bom disso é o lado didático", comentou Botafogo Gonçalves, em entrevista ao Estado. O diplomata explica que até então o Brasil não estava acostumado a enfrentar problemas deste tipo, já que apenas nos últimos anos a atuação de companhias no exterior vem se intensificando. Era mais comum, na prática, criticar ou avaliar como indevidas atitudes de outros países quando defendiam suas próprias companhias.Na avaliação de Botafogo Gonçalves, a crise entre o Brasil e Bolívia com relação às questões das refinarias e do gás deverá durar "muitos meses", com sucessivas "ida e vindas" no processo, que deverá entrar pelo ano que vem adentro ainda. Isso representará um desafio para a diplomacia brasileira e será preciso firmeza e "paciência estratégica", diz o diplomata. "É indispensável tentar reforçar as ligações entre os países", reconhece.Ele defende que a prosperidade da Bolívia é importante para o Brasil, mas isso não quer dizer que "para isso tenhamos que fazer qualquer coisa que o presidente boliviano queira fazer". Botafogo Gonçalves, que esteve baseado na Argentina durante um período de contenciosos com o país vizinho, explica que há forças conflitantes dentro da própria Bolívia, o que gera um "front interno" muito confuso no país."Quando isso ocorre, para tentar agregar , não há nada mais prático do que escolher um inimigo externo", afirma o embaixador, dizendo que essa tendência não acontece apenas na Bolívia. Segundo ele, além de reagir ao Brasil, os bolivianos poderão recuar ou avançar conforme as tensões internas. O episódio dessa semana é apenas mais um. E cita que a Bolívia precisa muito do Brasil e o Brasil, embora menos, também, precisa do país.De forma geral, Botafogo Gonçalves também comenta que a Petrobrás é uma empresa de economia mista, com ações cotadas em bolsa, e "não pode ser usada com objetivos geopolíticos quaisquer". Ele prossegue comentando que a estatal não pode pagar todos os prejuízos que decorram de medidas adotadas pelo governo boliviano. Quanto à avaliação do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, de que o recuo da Bolívia foi um gesto de boa vontade, o embaixador comentou que "gesto de boa vontade você não faz depois que comete o mal, se faz antes", embora reconheça a importância de manter espaço para o diálogo.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2006 | 19h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.