Brasil deve chegar a 67 Leões em Cannes

Resultado do País neste ano é o melhor da história no festival mundial de publicidade

Marili Ribeiro, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

Com 67 Leões garantidos na bagagem, os profissionais da propaganda brasileira estabeleceram um novo patamar para o desempenho do País no Cannes Lions. É o melhor resultado do Brasil em troféus no maior festival mundial do meio publicitário, desde que, há dez anos, ele vem aumentando as categorias em competição. Este ano foram 13.

Entre os novos Leões conquistados, está mais um de ouro, que foi ganho na categoria que julga a produção e realização dos filmes comerciais, ou Film Craft Lions.

Na lista preliminar de Film Craft os brasileiros haviam emplacado três finalistas. Dois deles ganharam. O ouro ficou com o filme Balões, da Loducca, que teve produção da ParanoidBR. O outro Leão é um bronze, e foi para Manobrista bêbado, da agência Ogilvy, com produção da Hungry Man.

Melhora. Erh Ray, sócio da agência Borghierh Lowe e jurado brasileiro em Film Lions, conta que, dos 14 filmes que se classificaram na reta final, passaram cinco, sendo dois Leões de prata e três de bronze.

A agência AlmapBBDO conquistou três troféus para os seus clientes Volkswagen e Embratel. Já os outros dois prêmios são um da Loducca, para o canal de televisão MTV, e outro para a Young & Rubicam, para a operadora Vivo.

Apesar de satisfeito com os cinco Leões - o melhor desempenho na categoria nos últimos três anos -, Ray reconhece que o Brasil ainda perde na comparação com outros países. "Nós temos talentos e competências, pois profissionais da área de produção de filmes são reconhecidos lá fora e realizam filmes no exterior. Então precisamos trazer essa atuação para dentro do País."

Fora do páreo. Nas categorias cujos resultados ainda não foram revelados, o Brasil sequer classificou trabalhos nas listas preliminares.

No caso de Titanium & Integrated, que tem seis anos de existência e premia as chamadas ideias "matadoras" por sua capacidade de surpreender em ações de marketing, as chances do Brasil têm sido tradicionalmente pequenas. Entre outras razões porque a implementação dessas ações requer maior investimento dos anunciantes.

Já em Creative Effectiveness, categoria que estreou este ano, o Brasil até inscreveu sete trabalhos, mas também não obteve indicação preliminar. Nessa nova seleção, o prêmio vai para as campanhas que produziram "efetivos resultados" em vendas e receita para os anunciantes que pagaram pelas campanhas. Há necessidade de comprovação de dados. No Brasil, não é habitual a área de marketing das companhias revelar resultados.

Profissionalismo. A nova categoria abre para o negócio de prestação de serviços de marketing mais exigências, transparência na atuação e cobrança. Isso, dizem alguns, vai exigir que o modelos de negócios das agências tenha de ser reinventado.

Com a entrada da comunicação em ritmo digital, com outras demandas dos consumidores e projetos cada vez mais segmentados, as agências tradicionais têm de mudar a atuação. É preciso buscar mais eficiência, como já ocorreu em outras atividades voltadas para a prestação de serviço.

Para muitos jurados, é inegável que as disputas fiquem cada vez mais difíceis até mesmo para o Brasil, que tem longa tradição no festival. Neste ano, o País inscreveu 2.647 peças na 58.ª Cannes Lions. Ficou atrás apenas dos Estados Unidos, que inscreveram 4.045.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.