Brasil deve crescer 4% em média até 2010, avalia EIU

A consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) prevê que o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2010 será de cerca de 4%, mas alertou que o País continua vulnerável ao humor dos mercados internacionais. Em seu relatório mensal sobre a economia mundial divulgado nesta sexta-feira, a entidade, com sede em Londres, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é franco favorito na eleição presidencial. Mas avisa que o vencedor em outubro, seja ele quem for, terá maiores dificuldades na condução da economia caso conte com uma base de apoio político fraca.Segundo a EIU, nenhum dos principais países da América Latina deverá enfrentar dificuldades financeiras, apesar da alta dos custos dos empréstimos causada pelo aperto monetário nos Estados Unidos, Europa e Japão. "Entretanto, o risco de crises financeiras ainda é real", afirmou. "O Brasil, de longe a maior economia da região, é vulnerável, e alguns dos países menores continuam pesadamente expostos a turbulências nos mercados emergentes."A consultoria observa que a perspectiva de um crescimento anual de 4% para a economia brasileira até 2010 é positiva se comparada à média de longo prazo, em torno de 2,5%. "Entretanto, será um resultado apenas moderado pelos padrões de outros gigantes emergentes, especialmente na Ásia", disse. "O investimento fixo no Brasil continua baixo mesmo em comparação com outros países latino-americanos."Segundo a EIU, a demanda doméstica vai se fortalecer em 2006 e 2007, com os gastos dos consumidores sendo estimulados pelo aumento do salário mínimo, o crescimento na renda disponível e uma expansão no crédito. Esses fatores deverão compensar com folga a desaceleração das exportações no próximo ano, causada pela queda no ritmo de atividade mundial."Um aumento nos empréstimos domésticos será causado por uma série de cortes na taxa Selic, o que também deverá estimular uma recuperação nos investimentos", disse. A consultoria acredita que a Selic sofrerá novos cortes nos próximos meses, fechando o ano em 14%. "Entretanto, o foco no controle inflacionário vai garantir que o relaxamento monetário ocorra num ritmo gradual medido", disse. Mesmo assim, observou, a taxa de juros real continua superior a 10%, a mais elevada entre as maiores economias do mundo.Segundo a EIU, a Selic pode continuar em queda, embora modestamente, após a posse do novo governo, o que poderá levá-la a 13% no final de 2007. Mas "qualquer queda forte no crescimento do comércio ou retração na liquidez global seria rapidamente sentida no Brasil, com uma pressão sobre o câmbio provocando uma nova onda de aperto monetário".DesafioA EIU acredita que o presidente Lula será reeleito em outubro. "Mas mesmo uma mudança no governo teria apenas um pequeno impacto na direção da política econômica", disse. "Qualquer que seja o resultado da eleição, os desafios para a política fiscal e monetária prudente vão aumentar se o mandato do novo governo for fraco."Segundo a consultoria, o elevado nível da dívida pública líquida e a necessidade de rolar anualmente 25% dessas obrigações "significa que o país continua vulnerável" a mudanças no sentimento dos mercados de capitais internacionais. "O alto nível de gasto público terá que ser mantido sob controle se o Brasil pretende se proteger dos efeitos de qualquer nova volatilidade nos mercados como presenciamos em maio e junho passados ", disse.

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