Brasil deve crescer como maior exportador de etanol, diz AIE

Relatório da Agência aponta que produção global de biocombustível deve crescer rapidamente até 2009

Daniela Milanese, da Agência Estado,

10 de julho de 2008 | 08h57

O Brasil está posicionado para expandir seu papel como o maior exportador de etanol do mundo, avalia a Agência Internacional de Energia (AIE). "O Brasil continuará se beneficiando de vantagens sem paralelo de custos de produção, agricultura e infra-estrutura", afirma o relatório mensal da entidade, divulgado nesta quinta-feira, 10. Veja também:AIE eleva projeção de demanda por petróleo pela 1ª vez no ano Segundo a AIE, a produção global de biocombustíveis deve crescer rapidamente em 2008 e 2009, contribuindo com grande parte do aumento da oferta dos países que não fazem parte da Opep. A agência prevê que a produção mundial de etanol e biodiesel subirá de 1,35 milhão de barris por dia neste ano para 1,69 milhão de barris diários em 2009. Desse crescimento, cerca de 50% virão dos Estados Unidos e 25%, do Brasil, os dois líderes desse setor. A AIE elevou significativamente a projeção de produção de etanol nos Estados Unidos. A capacidade deve avançar de 650 mil barris por dia em 2008 para 880 mil barris diários no próximo ano - sendo que a estimativa anterior para 2009 era de 700 mil barris. Conforme a entidade, os dados de produção mensal dos EUA têm superado as estimativas, com o rápido crescimento da capacidade. Além disso, a nova previsão da AIE considera a lei aprovada pela Câmara em dezembro de 2007, que dá impulso aos combustíveis renováveis.  Petróleo O relatório afirma ainda que o desenvolvimento de projetos em águas profundas no Brasil continua sendo o principal responsável pelo crescimento da oferta de petróleo na América Latina. A agência lembra que a produção de óleo cru no País tem avançado em 100 mil barris diários por ano nos últimos 10 anos. Na América Latina, a alta da oferta deve ser de 165 mil barris em 2008 e mais 190 mil barris no ano seguinte, para uma média de 2,1 milhões de barris por dia. "O aumento está amplamente baseado nos planos de expansão da operadora estatal Petrobras", afirma a AIE. A agência diz, entretanto, que a complexidade e a necessidade de capital intensivo provocaram atrasos nos projetos da Petrobras. "Entretanto, incrementos importantes vêm dos campos de Roncador, Marlim Leste e Marlim Sul, além de Golfinho em 2009." Conforme a AIE, a demanda por petróleo na América Latina está robusta. A agência prevê que o consumo deve ficar em 5,9 milhões de barris por dia em 2008 e 6,1 milhões de barris diários no ano seguinte - acima dos 5,6 milhões de barris em 2007. A trajetória do crescimento pode parecer menos vigorosa do que no Oriente Médio, diz a AIE, pois a atividade econômica em alguns países deve mostrar desaceleração gradual. No entanto, o desempenho "não é irrelevante". O consumo na Argentina, por exemplo, ainda está disparando - a procura por combustíveis para transporte subiu 14% sobre o ano passado. "O apetite do país é tão voraz que já está até faltando energia regionalmente." A entidade nota ainda que o Chile tem sido forçado a elevar a importação de gasolina significativamente, já que perdeu o fornecimento de gás natural da Argentina. Esse movimento contribui para o aperto no mercado global de destilados.

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