Brasil deve crescer menos que a média mundial, diz FMI

A economia brasileira deve crescer 3,5% ao ano neste e no próximo ano, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas nesta quarta-feira em Washington. O crescimento previsto para o Brasil é mais uma vez menor do que a média mundial, menos do que a média da América Latina e bem menos do que os países emergentes.O FMI revisou para cima o crescimento da economia global e projeta um incremento de 4,9% neste ano, 0,6 ponto porcentual acima da projeção feita no relatório anterior, em setembro do ano passado. Para o ano que vem, a expectativa é de um crescimento de 4,7%.Os dados são do Panorama Econômico Mundial, divulgado nesta quarta-feira pelo FMI, dias antes da reunião de primavera do Fundo, em Washington.O documento diz que a economia brasileira mostrou sinais de aceleração recentemente e aconselha o governo a continuar reduzindo os juros para estimular os investimentos."Com a pressão inflacionária moderada e a expectativa controlada, há espaço para continuar a redução gradual da taxa de juros iniciada em setembro de 2005", diz o relatório.Superávit O FMI também nota que o superávit primário ficou em 4,8% do PIB no ano passado, superior à meta de 4,25%, mas diz que, para continuar a reduzir a dívida pública, "é importante resistir às pressões para um alívio fiscal e sustentar os superávits primários".A América Latina deve crescer em média 4,3% neste ano e 3,6% em 2007, de acordo com a previsão do FMI. O Fundo revisou para cima o crescimento médio da região, por causa do desempenho acima do esperado da Argentina e da Venezuela. Mas as duas maiores economias da região, Brasil e México, terão um crescimento abaixo da média.Apesar do crescimento relativamente elevado, a região ainda está sujeita a riscos. Estes riscos vêm, de acordo com os economistas do Fundo, de uma eventual redução de demanda por produtos primários e industrializados dos países que se sustentaram com crescimento das exportações - caso do Brasil.O FMI também cita o pesado calendário eleitoral da região este ano, salientando "a importância de se manter políticas econômicas sólidas e defender a credibilidade tão duramente conquistada entre investidores nacionais e estrangeiros durante a transição política".O relatório destaca que a queda na dívida pública e a disciplina fiscal foram "grandes conquistas" da região no último ano, mas diz que em muitos países o nível de endividamento em relação ao PIB continua superior à faixa de 20% a 50%, considerada segura pela instituição.Orientações Raghuram Rajam, diretor de pesquisas do FMI, disse que o Brasil fez avanços importantes na frente macroeconômica, que incluem o controle da inflação. No entanto, ele afirmou que, agora, o País precisa fazer reformas estruturais para se tornar mais competitivo e acelerar o crescimento econômico. Entre as mudanças, Rajam citou reformas que tornem o sistema financeiro mais eficiente e reformas que melhorem a capacidade das pessoas de fazer negócios, numa referência a mudanças microeconômicas.Mundo Os maiores índices de expansão devem ser mais uma vez verificados na China - 9,5% em 2006 e 9% em 2007 - e na Índia - 7,3% neste ano e 7% no próximo.A economia americana deve crescer 3,4% neste ano, o maior crescimento entre os países industrializados. Apesar do crescimento mais moderado no fim do ano passado, os dados dos primeiros meses deste ano sugerem uma recuperação. O principal risco, de acordo com os economistas do Fundo, viria de um desaquecimento abrupto do mercado imobiliário.O Japão, que ficou estagnado até pouco tempo, teve um crescimento forte no último trimestre do ano passado. O Fundo projeta um crescimento de 2,8% para este ano e de 2,1% para o próximo."A expansão (entre as diversas regiões) está muito mais ampla", diz o relatório. "Os Estados Unidos permanecem o motor do crescimento, mas a expansão japonesa está consolidada e há sinais de uma recuperação sustentada na zona do euro", afirmam os economistas.

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