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Brasil deve diversificar rapidamente o abastecimento de gás

A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta que o Brasil precisa diversificar o mais rápido possível seu abastecimento de gás natural para não depender de decisões políticas que são tomadas na Bolívia ou em outros países da região. A avaliação, de especialistas da entidade com sede em Paris, é feita depois que o governo de Evo Morales fechou um acordo até 2036 com a Petrobras. "Ficamos surpresos com a notícia do acordo", confessou um dos analistas da AIE, que acompanha a situação da Bolívia e que esperava maior resistência por parte das empresas que atuam no país andino. Na avaliação da entidade, um dos pontos que mais contou para que o entendimento fosse estabelecido foi a necessidade de que não haja uma interrupção no fornecimento de gás ao Brasil. "O País precisará de muita energia nos próximos anos para retomar seu crescimento", afirmou o analista. "O abastecimento deve ter pesado muito na decisão da Petrobras de fechar o acordo", disse. Para a entidade, está na hora de o Brasil investir na produção nacional de gás e procurar outros fornecedores. "Precisa haver uma diversificação no abastecimento para que o País não fique dependente de ninguém", aconselhou o analista. Nos últimos dias, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, admitiu que o governo avalia a possibilidade de buscar alternativas para o abastecimento de gás. A AIE estima que a Petrobras pode estar esperando que um sinal positivo seja dado pelos bolivianos no preço que se negociará pelo gás, já que a empresa aceitou o aumento de impostos. O valor, segundo os analistas, poderia ser fundamental para a companhia brasileira nos próximos anos em suas operações na Bolívia. O gás natural é hoje o recurso energético que mais cresce em termos de produção e consumo no mundo. Não por acaso, a média do preço do gás aumentou em oito vezes nos principais mercados consumidores, como Europa e Estados Unidos na última década. InvestimentosA AIE aponta ainda que também será de interesse dos bolivianos fechar algum tipo de acordo com as empresas estrangeiras, pois não podem ficar sem investimentos de fora. A agência lembra o caso da nacionalização do gás no México. Antes de tomarem essa decisão, os mexicanos chegavam a exportar gás para os Estados Unidos. Depois, a nacionalização da Pemex levou o país a ter de importar gás americano, apesar de suas reservas, já que não conseguiram recursos para investir em sua própria produção.Os especialistas acreditam, portanto, que o mesmo poderia ocorrer com a Bolívia sem investimentos estrangeiros. Para a América do Sul, essa situação poderia ser o pior dos cenários, já que o continente poderia ser obrigado a importar gás de outras fontes. Segundo a AIE, a Bolívia não está nem entre os 20 maiores produtores do mundo e representa menos de 0,7% das reservas de gás no planeta, mas tem um papel importante para abastecer o Brasil. Pelos cálculos da British Petroleum, a Bolívia é a quarta reserva das Américas, superada pelos Estados Unidos, Venezuela e Canadá.Até 2025, as estimativas da AIE são de que o uso do gás irá duplicar no mundo, em parte por causa da alta dos preços do petróleo e diante da necessidade de países em buscarem fontes mais limpas de energia.

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