Brasil deve entrar na OMC contra os EUA

Diante de um quadro de relações desgastadas entre o Brasil e os Estados Unidos, o secretário-adjunto do Departamento de Estado americano para a América Latina, Otto Reich, ouviu nesta segunda-feira no Itamaraty que o País deverá pedir a formação de um comitê de arbitragem na Organização Mundial do Comércio (OMC), contra as medidas de salvaguardas aplicadas pelos Estados Unidos às importações de produtos siderúrgicos brasileiros, no final deste mês. Os principais negociadores do Brasil acentuaram ainda as pressões para que os Estados Unidos, ao final de uma análise em andamento, liberem itens brasileiros dessas mesmas restrições.Nos encontros marcados no Itamaraty, Reich ainda se defrontou com as queixas do Brasil contra a política de subsídios americana à agricultura - que podem gerar conflitos na OMC em torno da soja e do algodão - e ainda da própria negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A partir de novembro, os dois países que mais se polarizam na Alca, o Brasil e os Estados Unidos, deverão compartilhar a presidência do processo negociador até a sua conclusão, prevista para dezembro de 2004. "Ninguém deveria temer a Alca", afirmou Reich à Agência Brasil, ao final dos encontros que manteve com os embaixadores Gilberto Saboya, subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty, e Clodoaldo Hugueney, subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty.Os temas deverão ser retomados durante as conversas, marcadas para amanhã, com o secretário-geral das Relações Exteriores, Osmar Chohfi. Desde o início do ano, as iniciativas dos Estados Unidos na área comercial, em especial as que atingiram o aço e os produtos agrícolas, desgastaram ainda mais as relações entre o Brasil e o governo americano.Entretanto, o presidente Fernando Henrique Cardoso vem disparando críticas à política externa americana desde o segundo semestre de 2001, por se concentrar nos temas de segurança e deixar lado as questões de interesse da América Latina, como o comércio, o desenvolvimento e o combate à pobreza.Há duas semanas, FHC declarou a um jornal mexicano que o governo americano é ignorante em questões ligadas à América Latina. A crítica recaiu diretamente ao próprio Reich, cubano-americano de linha anti-castrista que foi designado em janeiro para o posto de principal porta-voz do presidente americano, George W. Bush, para a região. Em seu discurso de posse nesse cargo, em março, Reich não mencionou nem o Brasil nem a própria Alca - fato que causou estranheza na diplomacia brasileira. Apenas se referiu a ambos em rápidas respostas a perguntas da platéia.Reich deverá embarcar ainda hoje para a Argentina, país que considerou como "amigo e aliado próximos dos Estados Unidos". No mesmo discurso, entretanto, atribuiu a crise argentina a "70 anos de má administração de recursos" e à "corrupção" e disse que a solução está nas suas próprias fronteiras. Reich ainda visitará o Uruguai.

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