Brasil deve esgotar negociação sobre aço, diz IBS

A presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Maria Sílvia Bastos Marques, afirmou, após almoço com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral, que o Brasil, antes de qualquer reação mais dura contra a taxação imposta pelos Estados Unidos às importações de aço, deverá insistir nas negociações com aquele país e com outros que adotam medidas restritivas à importação de aço. "O caminho é esgotar todas as fórmulas de negociações", afirmou a executiva. Ela observou que há dois prazos que o Brasil deve levar em conta nesse processo. O primeiro é de 40 dias, que os próprios EUA se impuseram para reavaliar as medidas tomadas. Esse prazo esgota-se em 15 de abril. O segundo é um período de 120 dias, iniciado em 15 de março, para que sejam analisados os pedidos de exclusão das restrições americanas. Maria Sílvia Bastos observou também que o Brasil tem dois pedidos de exclusão - um para aços semi-acabados e outro para aço IF. Segundo a executiva, caso seja aceito o pedido brasileiro, a cota de exportação para aços semi-acabados subirá de 2,5 milhões de toneladas anuais para 3,5 milhões. Ela lembrou que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) necessita de cota para levar matéria-prima para uma siderúrgica que adquiriu nos EUA e se encontrava desativada. "O Brasil está sendo parte da solução", argumentou Maria Sílvia, informando que essa planta criou 200 empregos nos EUA. Ela relatou que, no almoço de hoje, foram analisados os prós e os contras de todas as formas de defesa comercial disponíveis para o Brasil e antecipou que amanhã o ministro Sérgio Amaral apresentará, na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a posição do governo. Do almoço com o ministro, participaram executivos do setor siderúrgico.Maria Sílvia, apesar de acreditar que o Brasil deve esgotar todos os recursos de negociação antes de qualquer tipo de retaliação às taxações impostas à importação de aço pelos Estados Unidos e outros países, reiterou, que continua defendendo a adoção de alguma medida preventiva pelo Brasil, como a elevação das alíquotas do imposto sobre importação aço. Segundo a executiva, trata-se de tomar uma providência para que "o aço sem destino no mundo não venha para o Brasil". Maria Sílvia afirmou ainda que o Brasil deveria apelar à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o protecionismo norte-americano. Segundo ela, independentemente de perdas econômicas imediatas, o Brasil deve lutar contra esse tipo de atitude, pois o protecionismo é um passo para o fechamento dos mercados. Ela acrescentou que uma avaliação completa das retaliações adotadas contra os EUA pela União Européia só será possível após o dia 3 de abril, quando elas serão anunciadas oficialmente. Na avaliação da presidente do IBS, as exportações brasileiras de aço para a Europa não serão, de acordo com informações preliminares, afetadas por essas medidas.

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