Brasil deve exportar carnes para México e Canadá

O México e o Canadá são mercados prioritários neste momento para expandir as exportações de carne de frango e de suínos. O recado foi dado ontem ao Ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, pelo diretor executivo da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) e da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Suína (Abipecs), Cláudio Martins. "O Brasil acabou de assinar um protocolo de acordo comercial bilateral com o México e os exportadores de frango e suíno têm interesse em participar do mercado mexicano", disse Martins.Ele calcula que o potencial de exportação de frango brasileiro para o México é de 20 mil toneladas por ano, e o de carne suína entre 10 e 15 mil toneladas por ano. Martins disse que, entre os dias 16 e 17 de julho, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, tem reuniões com autoridades de órgão similar do governo do Canadá. "Estas reuniões também podem resultar em acordo comercial. Os canadenses tem interesse em importar 40 mil toneladas de peito de frango por ano", afirmou Martins. "Com parte dos mercados do México e do Canadá, os exportadores de frango e suíno do Brasil terão um pé no Nafta", completou. Martins também conversou com o ministro Pratini de Moraes sobre as dificuldades do setor em alguns mercados importantes. A meta de exportação de frango para 2002, inicialmente fixada em 1,35 milhão de toneladas e US$ 1,5 bilhão, já foi reduzida para 1,1 milhão de toneladas e US$ 1,1 bilhão. "Uma desaceleração já era esperada, não poderíamos continuar crescendo nas exportações de forma tão intensa como nos últimos três anos", disse o executivo.MetasAs metas de exportação de suíno, contudo, devem ser alcançadas em 2002, de embarcar 350 mil toneladas, com receita de US$ 500 milhões. Entre janeiro de junho, o Brasil embarcou 186,8 mil toneladas de carne suína, 59% mais que no mesmo período do ano passado. A receita também cresceu 27,8%, no primeiro semestre de 2002, e o preço médio caiu 19,6%. A União Européia estabeleceu alíquota para importações de peito de frango salgado, que representa 75% do preço do produto. "Antes, a alíquota era de 15,4%, que ainda continua válida para a carne com teor de sal acima de 1,9%, inútil para industrialização, o que fecha as portas da Europa para o produto brasileiro", explicou. "Temos que brigar por isto". As exportações para o Oriente Médio, principal mercado para o frango brasileiro, seguido pela Rússia, também estão sob risco. "Os sauditas proibiram importações de duas empresas brasileiras, Avipal e Minuano, alegando que o produto continha resíduos de clorafenicol, um produto banido das criações brasileiras desde 1998. Isto é uma reação à tremenda importância que o frango brasileiro está obtendo lá", disse Martins. MercosulOutro problema é a queda das exportações de frango para o Mercosul em 96% no primeiro semestre de 2002, em relação ao mesmo período do ano passado. "A retração agora tem motivação econômica, mas eu disse ao ministro que o Brasil deve prosseguir com a ação contra a Argentina na OMC, para provar que o processo antidumping contra os produtos brasileiros foi uma aberração", disse. O segundo maior mercado para o frango brasileiro, a Rússia, anunciou também a elevação da tarifa para importação de 25% para 33,3%, a vigorar talvez a partir de agosto. "Quanto a isto não podemos fazer quase nada, só continuar buscando outros mercados", avaliou Martins. O embarque de cortes de carne suína para a Argentina caiu 78% no primeiro semestre deste ano, para 4 mil toneladas, e a receita encolheu 82,4%, segundo dados da Abipecs. O suíno brasileiro também tem tido problemas com os embarques para Hong Kong, considerado um entreposto para as exportações para a China.

Agencia Estado,

11 de julho de 2002 | 15h59

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