Brasil deve priorizar comércio regional, diz Unctad

Relatório diz que acordos bilaterais com países ricos podem ser perigosos.

BBC Brasil, BBC

05 de setembro de 2007 | 17h39

O Brasil deve concentrar seus esforços na cooperação regional na América Latina e explorar as possibilidades comerciais dentro e fora do Mercosul, segundo um relatório publicado nesta quarta-feira pela Unctad (Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento)."Se os países têm a intenção de aumentar seus mercados, é melhor que eles façam isso dentro de sua área geográfica, porque este tipo de acordo já se provou mais eficiente. No comércio intra-regional, a parcela de bens manufaturados é maior, o que reduz a dependência dos países em desenvolvimento em relação aos preços dos commodities", disse à BBC Brasil o coordenador do relatório Trade and Development 2007 (Comércio e Desenvolvimento 2007) da Unctad, Detles Kotte.Segundo a Unctad, como as negociações de liberalização do comércio no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) não estão avançando, muitos países em desenvolvimento estão apostando em acordos bilaterais, muitos deles com países ricos.Mas a organização diz que, nessas situações, os países em desenvolvimento acabam muitas vezes aceitando condições mais duras do que aceitariam no cenário mundial e podem ser prejudicados no longo prazo."Ficando no âmbito regional, países como o Brasil podem se tornar menos dependentes da economia mundial e mais preparados para a globalização, além de aumentar a industrialização na sua região", afirmou Kotte.Segundo o relatório anual da Unctad, o crescimento econômico na América Latina deve ter um leve desaquecimento e ficar em torno de 5% em 2007. O documento diz que China e Índia seguem liderando o crescimento no mundo em desenvolvimento, que passa pela situação econômica mais favorável desde o início dos anos 70.O PIB per capita nesses países cresceu quase 30% entre 2003 e 2007, enquanto no G7, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo, essa alta ficou em apenas 10%.A Unctad, no entanto, faz um alerta: no caso de uma séria recessão nos Estados Unidos, as exportações dos países em desenvolvimento - que estão sendo beneficiadas pela forte demanda por commodities primários - podem ser seriamente afetadas. O relatório também ressalta que as disparidades entre o nível de vida em países ricos e pobres diminuíram, mas continuam enormes.Em 1980, a renda per capita era 23 vezes maior em países desenvolvidos que nos países em desenvolvimento. Em 2007, a diferença diminuiu para 18 vezes.Na América Latina, África e Oeste Asiático, no entanto, essa distância relativa é maior em 2007 do que era em 1980.Nesta quarta-feira, duas autoridades financeiras mundiais indicaram que as economias dos países do G8 podem enfrentar novas turbulências.Em um relatório sobre a economia global, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que o panorama econômico estava menos otimista por causa de recentes quedas nos mercados financeiro, segundo informações do economista-chefe Jean-Philippe Cotis.Um dos diretores do Tesouro americano, Robert Steel, disse que a turbulência atual está longe de ter acabado.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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