Brasil deve receber menos capital que o previsto

Segundo o Institute of International Finance, o Brasil receberá US$ 137,4 bi em fluxos de capitais este ano, menos do que a projeção de US$ 144,9 bi

ALTAMIRO JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2013 | 02h14

O Institute of International Finance (IIF, uma entidade que reúne grandes bancos globais) reviu - para baixo - as previsões para o Brasil. Segundo as novas estimativas, divulgadas ontem, o País terá menos capital externo que o calculado em janeiro. A projeção agora é que o Brasil receberá US$ 137,4 bilhões em capitais privados em 2013, abaixo dos US$ 144,9 bilhões da estimativa anterior.

Para 2014, a previsão é que os fluxos líquidos privados rumo ao mercado brasileiro fiquem em US$ 134 bilhões, também menos do que se estimava anteriormente (US$ 148 bilhões). Apesar da revisão para baixo nas estimativas, o Brasil deve obter tanto este ano como no próximo, um fluxo líquido acima do de 2012, que ficou em US$ 125,9 bilhões.

Segundo o relatório do IFF, as principais razões para a redução no volume esperado de fluxos de capitais para o Brasil e outros países emergentes são a possibilidade de mudanças na política monetária do Federal Reserve (o Fed, banco central dos Estados Unidos), e o ajuste que os investidores globais vêm fazendo em suas carteiras se antecipando à este movimento. Outro ponto que ajuda a reduzir a atratividade do Brasil e de outros mercados é o menor crescimento econômico esperado para essas regiões.

O IIF reduziu recentemente a previsão de expansão para o Produto Interno Bruto do Brasil e vê o País crescendo apenas 2,5% este ano e 3,2% em 2014.

Os mercados emergentes devem receber US$ 1,145 trilhão em fluxos de capital este ano, uma queda de US$ 36 bilhões em relação ao ano passado. Para 2014, nova redução é estimada, com os fluxos caindo para US$ 1,112 trilhão - o menor nível desde 2009.

Os países emergentes da Europa, como a Turquia, devem ser os únicos no planeta a ficar na contramão da tendência para os demais emergentes. As previsões do IIF para a região foram revistas para cima: US$ 68 bilhões este ano e US$ 19,3 bilhões para o próximo ano.

O IIF destaca que desde de maio os emergentes já sentem reflexos claros dos ajustes nas carteiras dos investidores em meio à expectativa de redução dos estímulos monetários do Fed. As bolsas de valores desses mercados acumulam queda de 15% desde o dia 22 de maio, quando o presidente do Fed, Ben Bernanke, destacou em depoimento no Congresso dos EUA que a política monetária poderia mudar em breve. Desde maio, as moedas dos emergentes se desvalorizaram 7%.

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