Brasil deve repensar normas cambiais, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista nesta sexta-feira disse que "o Brasil está num momento de repensar suas normas cambiais", mas enfatizou que "não há medidas já tomadas ou decididas no âmbito do executivo". Em palestra no XVII Congresso Nacional de Executivos de Finanças, Meirelles disse que a maior parte das ações que poderiam ser tomadas pelo BC "já o foram". "No âmbito do Conselho Monetário Nacional também já foram. Não vou arriscar a dizer que todas, porque a palavra todas é muito forte."De acordo com ele, é feita uma análise para saber se o CMN pode ainda fazer alguma alteração ou modernização nas normas para o câmbio. "E se existir (essa possibilidade) certamente falo-á." Meirelles lembrou que há um projeto de lei no Congresso Nacional sobre as normas do câmbio e enfatizou que "medidas de ordem legal poderão ser tomadas". Ele argumentou que o Brasil tem uma estrutura normativa para o câmbio voltada para reter moeda forte porque durante décadas teve carência de moeda externa. "Hoje, o Brasil está em uma situação totalmente inversa", disse, lembrando o saldo positivo em conta corrente e o nível das reservas internacionais. O presidente do BC disse que há algumas alternativas em discussão, como a possibilidade de abrir contas em dólar no exterior e em dólares no país. Desta forma, o correntista não teria que converter dólares em reais, operações que têm contribuído para a depreciação da moeda norte-americana. Ele disse que em relação à conta em dólar no País "têm algumas dúvidas importantes dentro da questão fiduciária das exigibilidades do Sistema Financeiro Nacional", porém, não as detalhou. Meirelles citou de passagem que "alguns já não consideram mais o dólar como moeda forte". Motivos Meirelles disse ainda que a queda do dólar é influenciada basicamente pelo aumento dos investimentos diretos no País e pelo bom desempenho da balança comercial. Meirelles lembrou que em 2004 e 2005 o fluxo financeiro dos investimentos para o Brasil ficou negativo, enquanto o comercial foi positivo. "O fluxo está sendo influenciado pelo investimento direto", enfatizou. Segundo ele, o melhor caminho para uma queda na taxa básica de juros (Selic, atualmente em 15,75% ao ano) é o governo assegurar que a inflação está dentro da meta. Na opinião de Meirelles, essa previsibilidade sobre a inflação é que reduz o prêmio de risco e, com isso, permite um maior crescimento econômico.Em sua palestra, o presidente do BC lembrou que o resultado da balança comercial surpreende os analistas. Ele citou como exemplo as previsões para o saldo comercial de 2006. Em 2004, se previa um superávit para 2006 na casa de US$ 20 bilhões. No ano seguinte o número foi revisto para US$ 30 bilhões e hoje já está em US$ 40 bilhões. Meirelles destacou que não apenas os números do mercado financeiro estão positivos. Segundo ele, indicadores do setor real da economia, como aumento da renda, maiores vendas e melhores índices de confiança do consumidor, indicam em melhoria no desenvolvimento econômico. Risco país O presidente do BC tratou sobre a alta do risco país - nos últimos dias como "questões pontuais"."O importante é a tendência e a tendência da taxa de risco é de queda e, portanto, a tendência da taxa de investimento é de subida", afirmou.Meirelles enfatizou a importância da queda da taxa de risco para a redução das taxas de juros e do aumento da previsibilidade da economia - o que provocaria um aumento na taxa de investimento. Ele afirmou também que os ganhos de ter as reservas internacionais em um nível relativamente elevado, arcando com o custo de carregá-las, é a redução da taxa de risco.

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