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Brasil deve rolar dívida para estabilizar câmbio, diz Pastore

O ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, disse hoje que a taxa de câmbio se estabilizará se o País conseguir rolar a dívida externa até o ano que vem. O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas explicou, durante entrevista à Rádio Eldorado AM/FM, que existe um déficit externo nas contas correntes com pagamentos em dólares no exterior, acima do que o Brasil arrecada nas importações e exportações, bens de serviços, juros, dividendos, entre outros, que está na ordem de US$ 20 bilhões."Nós temos que rolar a dívida externa este ano e no ano que vem, um pouco acima do que US$ 30 bilhões por ano. O Brasil tem que buscar no mercado, este ano - já buscou em grande parte -, e tem que buscar no ano que vem, perto de US$ 50 bilhões. Se conseguir pegar isso, a taxa de câmbio se estabiliza, mas se não conseguir rolar isso, a taxa de câmbio se deprecia", afirmou.Segundo o economista, quando a taxa de câmbio se deprecia, afeta a relação da dívida interna com o PIB. Ele informou que 40% da dívida interna do Brasil estão indexados ao dólar porque o governo emitiu papéis cambiais ou porque há uma parte da dívida pública que é externa. Com a queda no câmbio, a dívida aumenta obrigando o governo a tentar aumentar seus superávits fiscais primários para produzir mais receitas e cortar gastos. Na opinião dele, isso já vem ocorrendo, mas existe um fator que pode colocar em risco esta situação. "Nós temos uma eleição e a eleição tem um resultado incerto", comentou.Para o economista, as respostas vagas dos candidatos e a falta de detalhamento sobre como conduzirão suas políticas econômicas de governo afetam o humor do mercado que fica mais volátil. "Quando o mercado vê a possibilidade de não se obter esse financiamento externo por uma guinada na política econômica e vê a possibilidade da depreciação da taxa de câmbio e da subida da relação da dívida/PIB questiona os candidatos, o que eles farão caso isso ocorra. Quando tem respostas vagas, fica a sensação de que o governo não tomará as medidas que tem de tomar para estabilizar a parte fiscal o que, no fundo, eleva a percepção de risco, eleva os prêmios de juros e, no fundo, produz a depreciação cambial", explicou.Pastore, no entanto, não considera este, um movimento especulativo, mas gerado por indefinições e incertezas provocadas pelos candidatos. Ele, porém, aposta que o mercado continuará volátil por um "bom período". O ex-presidente do BC considera que as armas do governo para conter a volatilidade são limitadas."No caso do déficit da depreciação cambial, o que poderia fazer o governo, poderia vender dólares no mercado. Se você tem uma depreciação cambial temporária, que é uma bolha produzida por uma insegurança momentânea, a venda de dólares estoura a bolha e a coisa se acomoda. Se o movimento é um movimento que deriva de uma incerteza um pouco mais profunda, como é o caso no presente momento, a venda de dólares é, inclusive, arriscada. Eu, se estivesse no BC, não venderia dólares para não ser acusado de ter dilapidado as reservas do País", afirmou. Pastore considera que a incerteza sobre a continuidade ou não deste governo impede inclusive que o BC use a elevação da taxa de juros como estratégia.

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