Brasil deve ter crescimento baixo no curto prazo, diz FMI

Em relatório, o Fundo também destacou que o País precisa continuar a alta dos juros para conter a inflação

Cláudia Trevisan e Altamiro Silva Júnior, correspondentes,

28 de agosto de 2013 | 11h40

WASHINGTON - A economia brasileira se recupera gradualmente da desaceleração registrada a partir de 2011, mas o crescimento no curto prazo deverá ser limitado por um coquetel que envolve o cenário externo adverso, restrições do lado da oferta e incertezas nas políticas domésticas, avaliou nesta quarta-feira, 28, o Fundo Monetário Nacional (FMI) em seu relatório anual sobre a economia do país. O Fundo avaliou que a inflação próxima ao topo da meta do Banco Central faz com que a política monetária precise continuar apertada, com mais aumentos de juros.

A recomendação é de que o BC tem que continuar comprometido em conter a pressão de aumento de preços e em ancorar as expectativas dos agentes do mercado financeiro. "Uma política monetária mais apertada ajudaria a conter pressões mais persistentes de alta de preços", destaca o relatório.

No geral, conclui o documento, a política monetária deve ter o principal papel na gestão da demanda agregada, enquanto a política fiscal precisa ser focada em reconstituir colchões de proteção. O Fundo nota que o Brasil implementou as recomendações sugeridas pela instituição em anos anteriores, mas trabalho adicional precisa ser feito.

O documento não analisa a alta recente do dólar no Brasil. Fala apenas no aumento da volatilidade nos mercados financeiros mundiais, que fez a aversão ao risco subir. O relatório destaca que o país tem instrumentos adequados para lidar com as mudanças de fluxos de capital.

Previsões. Ao contrário da análise recente de outros países divulgadas pelo FMI, o documento de hoje sobre o Brasil não tem previsões de indicadores econômicos para os próximos anos. O texto traz números até 2012, sem estimativas para 2013 e anos seguintes, como ocorreu com os outros documentos, por exemplo com a zona do euro.

Crédito. O FMI recomenda uma redução gradual no ritmo de concessão de crédito por bancos públicos no Brasil, de acordo com relatório sobre a economia brasileira divulgado nesta quarta-feira. Além disso, o Fundo recomenda que o País siga aumentando os juros para conter a inflação.

O documento destaca que o sistema bancário brasileiro está sólido e bem preparado para uma adequação até antes do previsto às regras de Basileia 3, que vão exigir mais capital de alta qualidade dos bancos. Mas os técnicos do Fundo observam que os bancos públicos, ao emprestar mais que os privados, estão mais expostos a riscos e podem até comprometer as contas do governo.

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