Brasil disputa mercado de carne de US$ 600 mi

Valor equivale ao que os EUA deverão deixar de exportar em carne suína em razão das restrições impostas por vários países ao produto americano

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

As restrições impostas por cerca de 20 países às exportações de carne suína dos Estados Unidos, do Canadá e do México, em razão da epidemia da influenza A (antes chamada de gripe suína) naquela região, devem abrir uma disputa por US$ 600 milhões entre os demais países exportadores. É nesse cenário que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) espera que as empresas brasileiras conquistem novos mercados e abocanhem boa parte desse valor. China e Rússia são consideradas as melhores oportunidades. Estudo realizado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra que China (incluindo Hong Kong), Rússia e Filipinas representaram 26% das exportações totais de carne suína dos Estados Unidos e do Canadá no ano passado. Além disso, 98% dos embarques de mercadorias americanas e canadenses para os países que impuseram restrição destinaram-se à China, Rússia e Filipinas. O cálculo considera que metade das vendas realizadas pelos Estados Unidos e pelo Canadá no ano passado pode não ser exportada neste ano por causa das restrições comerciais, o que representa 311 mil toneladas de carne suína, no valor de US$ 600 milhões.Esse volume equivale a 64% do total exportado pelo Brasil em 2008 (470 mil toneladas). Os embargos à carne suína do México não devem favorecer o Brasil porque praticamente todas as vendas mexicanas em 2008 foram para o Japão, que não impôs nenhuma restrição. O cenário foi traçado com a expectativa de que a gripe suína não chegue ao Brasil com força suficiente para provocar restrições ao produto brasileiro. O Brasil é o quarto maior produtor e exportador mundial de carne suína. O País também terá que superar algumas barreiras para aproveitar a oportunidade: fazer o primeiro embarque para a China e ampliar a cota fixada pela Rússia. Já foi assinado um protocolo sanitário com o governo chinês, mas nenhuma venda foi realizada até o momento. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, disse que a expectativa é que a habilitação de frigoríficos brasileiros seja concluída com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim, na próxima semana.MISSÃOA China enviou uma missão veterinária ao Brasil em novembro de 2008 e o Brasil encaminhou informações de 24 frigoríficos que desejam ser habilitados. Maior produtora e consumidora de carne suína no mundo, a China passou nos últimos três anos de exportadora a importadora, como resultado do aumento do consumo e dos problemas sanitários na suinocultura do país.Esse setor também negocia a ampliação da cota de 177,5 mil toneladas este ano imposta pela Rússia para um grupo de países. Nesse grupo, o Brasil é o principal exportador e a Rússia, o primeiro destino da carne suína brasileira.Camargo Neto lembra ainda que a Rússia impôs, inicialmente, por causa do surto de gripe, restrição a diversos Estados americanos. Mas, poucos dias depois, restringiu as barreiras a apenas dois Estados. Segundo ele, os Estados Unidos devem manter as exportações para a Rússia por meio dos dois Estados habilitados. No ano passado, a Rússia comprou US$ 315,5 milhões dos americanos. O Brasil também tenta um acordo com as Filipinas. No ano passado, houve troca de questionários sobre a sanidade da carne brasileira. Agora, o setor espera a visita dos veterinários filipinos para conseguir a liberação das exportações.Camargo Neto disse que ainda é preciso considerar qual será a queda de consumo de carne suína nos Estados Unidos e seus reflexos no preço internacional do produto.

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