G20 - Arábia Saudita/AFP
G20 - Arábia Saudita/AFP

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Brasil diz no G20 que medidas contra vírus são 10% do PIB, mas mitigam perdas na economia

Em encontro virtual do grupo, representante brasileiro disse que País não vai tolerar infrações às leis locais de sustentabilidade, mas que não cederá a pressões protecionistas

Célia Froufe, LONDRES

18 de julho de 2020 | 16h05

O impacto fiscal primário do programa brasileiro de apoio à economia em função da crise causada pela pandemia de covid-19 atinge quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico, mas as medidas ajudam a mitigar os reflexos negativos sobre o crescimento da atividade local.

Estas foram algumas das observações feitas pelo Brasil durante a reunião financeira do grupo das 20 maiores economias do globo (G20), que ocorreu neste sábado, 18, de forma virtual sob a presidência da Arábia Saudita. O porcentual é superior à média de 5,8% das economias avançadas e da de 4,1% dos países em desenvolvimento, de acordo com o governo. No encontro, o Brasil disse também que não vai tolerar infrações às leis locais de sustentabilidade, mas afirmou que não cederá a pressões protecionistas.

 O representante brasileiro pelo Ministério da Economia foi o secretário de Assuntos Econômicos Internacionais, Erivaldo Gomes. Do Banco Central participou a diretora da área internacional da instituição, Fernanda Nechio. Havia a previsão de que o ministro Paulo Guedes participasse, mas houve mudança de planos na última hora por causa da proximidade da entrega da proposta de reforma tributária ao Congresso - o ministro prometeu enviar o projeto na terça-feira. Ele participou da reunião de abril, mas não viajou até Fukuoka em 2019 para o mesmo evento.

Segundo o governo, não há dúvidas para o governo de que as respostas do Brasil estão mitigando o impacto econômico da covid-19. “Agora, em vez de uma queda de 9% do PIB, conforme projetado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), esperamos cerca de 5%”, comparou o secretário, salientando que a pandemia interrompeu a tendência de recuperação observada no Brasil. A estimativa mais recente do Ministério da Economia é de queda de 4,7%.

Pacote contra a pandemia

“A perspectiva mundial permanece altamente incerta, pois muitos países estão enfrentando as consequências da covid-19. Embora a atividade econômica e a confiança tenham começado a se recuperar de níveis muito baixos, a produção deve ter um desempenho abaixo do esperado por um período prolongado”, disse Gomes. “Agora, a pandemia requer um novo conjunto de ações políticas públicas”, continuou ele, sobre ações globais e no nível doméstico.

 Sobre as ações internas, ele disse ao grupo que o Brasil adotou um pacote abrangente de medidas para enfrentar os principais desafios à saúde, emprego e renda. “Nesse esforço, descentralizamos recursos significativos para Estados e municípios para não deixar ninguém para trás”, explicou o secretário.

Segundo ele, a ajuda de emergência atinge cerca de um terço da população brasileira, ou cerca de 64 milhões de pessoas. “Incluímos mais de 38 milhões de trabalhadores informais e socialmente vulneráveis para serem conectados aos nossos programas sociais a partir de agora.”

Outras medidas citadas foram o Programa de Manutenção de Emprego e Renda, que salvou mais de 13 milhões de empregos formais, conforme Gomes, e o fundo governamental para melhorar os canais de crédito e fornecer garantias a empréstimos para pequenas e médias empresas, com o benefício potencial a 3,2 milhões de companhias.

'Falsas narrativas' sobre meio ambiente

Para o futuro, Gomes disse que o governo brasileiro se prepara para atuar em quatro pilares para melhorar a resiliência e promover o crescimento: implementação de reformas estruturais e investimentos em infraestrutura, fortalecimento da proteção social e geração de emprego, promoção de uma integração mais profunda do Brasil na economia global e compromisso com a proteção ambiental.

Sobre este ponto, o secretário disse que o governo brasileiro não vai tolerar práticas ilegais, mas também desconsiderará as “falsas narrativas baseadas em interesses protecionistas”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.