Brasil diz que não aceita proposta agrícola da UE e EUA

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje, em depoimento na Câmara dos Deputados, que o governo brasileiro não aceitará a proposta apresentada ontem pelos Estados Unidos e União Européia para abertura do mercado agrícola nas negociações da Organização Mundial do Comércio. Segundo ele, o texto do acordo cria uma categoria entre os países em desenvolvimento que tenham grande superávit na balança comercial. "Eles dão a entender que esses países perderão, na melhor das hipóteses, benefícios de apoio à agricultura que já são muito reduzidos", afirmou Amorim. O Brasil teve em 2002 superávit de US$ 20,3 bilhões na balança comercial do agronegócio e para 2004 a previsão é de saldo positivo de US$ 24 bilhões. Com esse resultado, o Brasil estaria nesse grupo, o que o deixaria de fora de uma política especial que seria reservada apenas aos países pobres. "Os países têm grandes saldos comerciais porque são competitivos", disse Amorim. Ele citou, por exemplo, que para cada dólar produzido em produtos agrícolas na UE, cerca de US$ 0,52 são de ajuda do governo. Nos Estados Unidos, para cada dólar produzido o governo entra com US$ 0,42. No Brasil, este valor é de US$ 0,05 ou US$ 0,06 "ou até menos", disse Amorim. Amorim disse que a proposta do Brasil é a de elaborar o seu próprio documento, "pois fazer emendas ao texto proposto pelos norte-americanos e europeus significaria uma mudança tão grande que equivaleria a um novo texto". Aos parlamentares, ele afirmou que o Brasil não pode aceitar uma redução na ambição na negociações comerciais em termos de agricultura. "É preferível prorrogar prazos e continuar definindo propostas ambiciosas do que aceitar termos não ambiciosos."

Agencia Estado,

14 de agosto de 2003 | 16h22

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