Marcelo Camargo/Agência Brasil - 22/7/2021
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Guedes diz que inflação está alta no mundo todo e alimentos e energia são maiores culpados

Em entrevista à rede CNN nos Estados Unidos, o ministro disse que governo decidiu manter benefícios sociais para ajudar população mais pobre a lidar com o aumento de preços

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2021 | 13h16
Atualizado 12 de outubro de 2021 | 14h45

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 12, que a alta dos preços é algo generalizado em todo o mundo e que, no Brasil, a elevação dos valores de alimentos e energia responde por metade das taxas do País. 

“A inflação está em todo o mundo. Metade da inflação (no Brasil) é exatamente comida e energia”, disse Guedes durante entrevista à CNN Interacional nos Estados Unidos. O ministro está no país para participar de eventos organizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o grupo das 20 maiores economias do mundo (G20), do qual o Brasil faz parte. 

De acordo com Guedes, é por causa dessa resiliência dos preços em segmentos fundamentais para a população que o governo decidiu manter benefícios concedidos durante a pandemia de coronavírus, como o auxílio emergencial. O programa foi estendido este ano e tem prazo para terminar neste mês de outubro. 

“Por isso, nossa proteção (social) ainda está lá. Vamos manter essa proteção. Vamos aumentar a transferência direta de renda para população pobre para cobrir os preços dos alimentos e da energia”, afirmou. 

O FMI previu que a inflação deve seguir em alta no mundo até o fim de 2021, mas deve arrefecer no ano que vem e retornar a níveis pré-pandemia. O Banco Central também iniciou seu ciclo de alta dos juros de forma antecipada em relação ao restante do mundo para tentar interromper a elevação dos preços. 

A autoridade monetária acreditava que a inflação seria passageira, mas, recentemente, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, admitiu que as elevações foram mais persistentes do que o imaginado inicialmente. 

Em setembro, o IPCA, que é o índice de preços oficial do País, voltou a surpreender ao mostrar um aumento de 1,16%. Com esse dado, o acumulado de 12 meses superou os dois dígitos e está em 10,25%

Com isso, o índice está muito acima da meta perseguida pelo BC, de 3,75% este ano, e também é superior ao intervalo de tolerância que a autoridade monetária pode usar para acomodar choques inesperados, de 5,25%. Mesmo com essa margem, o BC não deve cumprir seu objetivo e Campos Neto terá que dar explicações ao ministro da Economia.  

Sobre a ajuda à população mais carente citada por Guedes, o governo pretende elevar o benefício médio do Auxílio Brasil a cerca de R$ 300 por mês. Há a expectativa de que o programa social, que é o substituto do Bolsa Família, atualmente de R$ 190, deve ser lançado no próximo mês.  

Na entrevista, o ministro também falou sobre o pacote de crescimento verde, que deve ser lançado durante a COP26, em Glasgow (Escócia) no mês que vem. Ele mantém a projeção ambiciosa de ferramentas no valor de US$ 2,5 bilhões e lembrou, mais uma vez, que já há cerca de US$ 100 bilhões contratados em infraestrutura.  

Mortes na pandemia

Ao ser questionado sobre as cerca de 600 mil mortes causadas pela pandemia no País, Guedes afirmou que o País gastou “mais que o dobro do que a média dos países emergentes e 10% mais do que os países ricos” para salvar vidas. 

“Não aceito sua narrativa. Nós gastamos mais dinheiro salvando vidas do que vocês”, disse Guedes à jornalista da CNN, se referindo aos Estados Unidos. 

Ainda sobre o tema, o ministro atribuiu a queda de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado ao distanciamento social, e disse que a medida também teve consequências negativas para o desemprego do País. “Nossa escolha foi manter vidas em primeiro lugar. Por isso, gastamos 110% do PIB em transferência de renda para pessoas pobres, para que elas praticassem o distanciamento social”, afirmou.

Sobre a investigação “Pandora Papers”, que apontou Guedes (e também Campos Neto) como proprietário de uma empresa num paraíso fiscal (offshore), o ministro disse que “não fez nada de errado”. 

Ele voltou a dizer que sua offshore é “legal, reportada ao Comitê de Ética da Presidência, declarada na Receita Federal e registrada no Banco Central”. “Eu saí do comando da empresa semanas antes de assumir o ministério. E além disso, na semana passada, a Suprema Corte brasileira arquivou o caso”, afirmou.

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