Roberto Jayme/ Reuters
Roberto Jayme/ Reuters

Brasil e Argentina criam grupo para discutir barreiras

Comissão será composta por ministros e deverá se reunir a cada 45 dias para tratar das pendências comerciais

Tânia Monteiro e Denise Chrispim Marin, da Agência Estado,

18 de novembro de 2009 | 14h56

Os governos do Brasil e da Argentina concordaram nesta quarta-feira, 18, em criar um grupo de trabalho para discutir uma solução definitiva para as barreiras comerciais aplicadas pelos dois países. No caso do Brasil, o grupo será integrado pelos ministros da Fazenda, de Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Do lado argentino, ele será integrado pelos ministérios da Economia, da Indústria e de Relações Exteriores. O grupo, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deverá se reunir a cada 45 dias para tratar das pendências comerciais.

 

Essa foi a solução paliativa encontrada durante o encontro desta quarta dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, no Palácio do Itamaraty. Durante a reunião, nem mesmo os presidentes conseguiram se comprometer com a retirada das medidas aplicadas no comércio bilateral. Desde setembro do ano passado o governo argentino exige licenças não automáticas para a importação de eletroeletrônicos, calçados, têxteis e outros produtos brasileiros.

Mesmo depois de acordos setoriais que implicaram na restrição voluntária de exportações brasileiras desses produtos, as licenças continuaram a vigorar, sendo que foi registrado um desvio de comércio em favor dos produtos chineses. No mês passado, como represália, o governo brasileiro impôs licenças não automáticas para 35 produtos argentinos. Do ponto de vista do Itamaraty, a solução definitiva para esse impasse, que se repete de tempos em tempos na relação comercial entre os dois países, seria a reestruturação dos setores argentinos que querem proteção.

 

Em discurso no almoço com Cristina Kirchner, no Palácio do Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu melhor entendimento e parceria entre os dois países. Segundo Lula, "cada dia mais, argentinos e brasileiros precisam se enxergar e entender como parceiros", pois "os dois países são interdependentes."

 

De improviso, Lula afirmou que ao Brasil "interessa que a Argentina cresça e se fortaleça, assim como deve interessar à Argentina o mesmo em relação ao Brasil." Com isso, segundo o presidente brasileiro, o comércio entre os dois países tende a crescer. As relações bilaterais têm sido perturbadas por imposições de barreiras comerciais a produtos brasileiros e vice-versa.

 

Lula destacou que é preciso levar em conta as diferenças entre os dois países. Antecipou que, na próxima reunião entre os dois países, dentro de 90 dias, provavelmente em Buenos Aires, um tema prioritário deverá ser o investimento do Brasil naquele país.

 

Segundo o presidente, essa será uma maneira de diminuir o déficit comercial entre os dois países, porque, quanto mais investimentos o Brasil fizer na Argentina, maior será o número de empresas brasileiras vendendo produtos argentinos para o Brasil, e mais equilibrada será a balança comercial.

Os empresários dos dois países precisam compreender a importância desse equilíbrio, disse Lula.

 

"Ambos somos sócios. Mas a Argentina não pode desconhecer a escala da economia brasileira e a consistência de sua indústria, conquistada ao longo do tempo", afirmou a presidente argentina. "Somos uma sociedade. Mas há um sócio maior e outro menor", completou. Cristina Kirchner ainda fez questão de ressaltar que, em seu ponto de vista, o discurso do livre comércio nem sempre se verifica na prática. "Uma coisa é o que se diz e outra é o que as economias adotam", disse.

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