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Brasil e Argentina devem excluir dólar de comércio bilateral

Os presidentes dos banco centrais dos países sócios do Mercosul e associados vão reunir-se nesta segunda e terça-feira em Montevidéu, ocasião em que Henrique Meirelles, do Brasil, e Martín Redrado, da Argentina, manterão um encontro paralelo para discutir a criação de um mercado de futuros de cotação do câmbio entre o peso e o real. Essa questão é fundamental para o projeto de ambos países como forma de suprimir o dólar do comércio bilateral, anunciado pelo ministro da Córdoba, no mês passado. A confirmação foi feita por uma fonte do BC argentino.Segundo essa mesma fonte, as equipes técnicas de ambas entidades "já estão prontas para apresentar as primeiras propostas e só falta a luz verde dos presidentes dos BCs. Para eliminar o dólar, os exportadores e importadores têm que ter uma cobertura do risco cambial futuro para operar". Ainda foi comentando que atualmente o câmbio entre a Argentina e o Brasil está em 1,30 pesos por R$ 1.Na sexta-feira passada, Redrado recebeu uma comitiva Bolsa de São Paulo (Bovespa), a qual se ofereceu para assumir a parte operacional do projeto no que diz respeito ao Brasil, mas também poderia assumir a tarefa de câmara de liquidação e compensação, segundo informou a fonte do BC argentino. Do lado da Argentina falta definir quem teria a responsabilidade de implementar o projeto. A maioria dos contratos de futuros no âmbito privado concentra-se no Rofex da Bolsa de Rosário. A fonte explicou que a câmara de liquidação e compensação poderia funcionar diretamente no BC.Idéia A idéia de eliminar o dólar avançou durante reunião entre os ministros Guido Mantega e Felisa Miceli, há mais de duas semanas, em Buenos Aires. Atualmente, o importador de um dos países deve adquirir dólares para pagar o exportador, e este , por sua vez, tem que trocá-los pela moeda local para operar em seu respectivo país. As transações entre Argentina e Brasil, no ano passado, chegaram a U$S 15 bilhões, e o objetivo é que estas sejam realizadas diretamente entre pesos e reais. Segundo o ministro Mantega, a medida tem pelo menos três vantagens: reduzir os custos de transação; estimular o comércio bilateral e reforçar a demanda tanto de pesos como de reais, reduzindo a entrada de dólares em ambos países e evitando pressões cambiais. Durante sua visita à Buenos Aires, quando reuniu-se com a colega Miceli, Mantega lembrou ainda que esse é o primeiro passo para que no futuro possa ser criada uma moeda regional.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2006 | 11h02

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