Brasil e Argentina discutem barreiras bilaterais ao comércio

Prazos para a concessão de licenças de importação de alguns produtos serão debatidos, diz fonte

18 de fevereiro de 2010 | 09h52

Os governos do Brasil e da Argentina voltam a se reunir nesta quinta-feira e na sexta-feira, em Buenos Aires, para avançar nas discussões sobre um esquema de integração produtiva entre os dois países. O secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, chefe da delegação brasileira, vai se reunir com o secretário de Indústria, Eduardo Bianchi, a partir das 16h30 (horário de Brasília). Fontes da Argentina informaram à Agência Estado que, embora o encontro seja para tratar do projeto de complementação das indústrias de ambos os países, Barral e Bianchi vão discutir sobre as barreiras bilaterais ao comércio.

 

"Vamos aproveitar a ocasião para negociar acelerações nos prazos para a concessão de licenças de importação de alguns produtos", disse a fonte.

 

Na reunião ministerial bilateral, realizada no último dia 5, os sócios chegaram à conclusão de que a Argentina não está ultrapassando o prazo máximo de 60 dias para a concessão das licenças, como ocorreu durante o ano passado. Contudo, "alguns setores ainda registram demoras", disse a fonte, sem detalhar quais os produtos que ainda estão afetados pelas barreiras.

 

O alvo desse novo encontro, no entanto, foi definido pelos ministros de Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e sua homóloga, Débora Giorgi, com vistas a acelerar o trabalho conjunto para desenvolver uma "real integração produtiva".

 

"Os técnicos vão se concentrar na análise dos setores industriais de ambos os países que tenham possibilidade de complementar-se e integrar-se em uma cadeia de valor regional", disse o Ministério de Indústria da Argentina.

 

Para tanto, os dois governos vão usar uma pesquisa realizada pela Universidade de Campinas (Unicamp), que aponta, inicialmente, nove setores com maiores possibilidades de integração de suas cadeias: aeronáutica; autopeças; biocombustíveis; construção civil; equipamentos ferroviários; indústria naval; mineração; petróleo e gás; e software. O estudo foi encomendado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), cujo presidente, Reginaldo Arcuri, integra a delegação brasileira.

 

A fonte argentina disse que, provavelmente, Bianchi entregue à Barral uma lista de pequenas e médias empresas argentinas que pretendem ser fornecedoras da Petrobras e da Petro-Sal. No encontro, também haverá a definição de uma metodologia de trabalho com esses setores de interesse de cada país. Os técnicos vão debater ainda uma das questões fundamentais para qualquer projeto: a disponibilidade de financiamento. Neste sentido, os organismos financeiros estatais de ambos os países vão apresentar os programas existentes e os fundos que podem ser colocados à disposição do programa. Como a Argentina não dispõe de uma instituição forte de financiamento, o país vizinho conta mesmo é com a ajuda oferecida pelo vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Armando Mariante, de financiar os projetos em comuns.

 

Pelo lado argentino, vão estar na mesa de negociações, além de Bianchi, os subsecretários de Política e Gestão Comercial, Eduardo Faingerch; de Indústria, Osvaldo Alonso; e da Pequena e Média Empresa, Horacio Roura. Além do coordenador nacional do grupo de integração produtiva do Ministério de Relações Exteriores, Hugo Varsky, o diretor da Agência Nacional de Desenvolvimento de Investimentos Javier Rando; representantes do Banco de la Nación Argentina (BNA) e do Banco de Investimento e Comércio Exterior (BICE). Ao lado de Barral e Arcuri, vão estar técnicos dos Ministérios de Relações Exteriores e de Desenvolvimento, do BNDES, Banco do Brasil e Câmara de Comércio Exterior (Camex). 

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