Brasil e Argentina discutem novo acordo automotivo

Os governos brasileiro e argentino vão iniciar as novas negociações sobre o acordo do setor automotivo em fevereiro. Os representantes das montadoras instaladas na Argentina terão uma série de reunião com o governo Néstor Kirchner e depois com o Brasil para "encontrar uma solução que termine com as assimetrias do setor, tanto na produção quanto no comércio bilateral". Segundo o chefe de Gabinete da Presidência, Alberto Fernández, "é preciso que tenhamos igualdade de condições para produzir em ambos países". O que o governo Kirchner quer mesmo é uma fatia da produção do segmento de carro econômico, já que o automóvel mais vendido na Argentina é o tipo popular.O perfil do consumidor argentino mudou com os anos de crise. O carro de luxo e grande ficou de lado, dando lugar ao popular que é fabricado no Brasil, como Fernández explicou à Agência Estado, quando a Argentina decidiu prorrogar a entrada em vigor do livre comércio do setor, previsto para iniciar em janeiro de 2006. Segundo um executivo de uma montadora, empresários não querem "criar um clima de briga, como ocorre em outros setores". Mas a fonte admitiu que o objetivo das negociações "é o de melhorar a balança comercial". Mas para o governo, a principal meta não é o comércio mas o destino dos investimentos. Kirchner e seu ministro de Economia, Roberto Lavagna, querem que as montadoras invistam mais em suas produções na Argentina e que algumas voltem ao país, como a Fiat.Claro que o comércio preocupa, mas para o governo, o desequilíbrio na balança é provocado pelos incentivos fiscais dados à produção das montadoras no Brasil. Dos automóveis vendidos na Argentina, 63% são importados, sendo que 85% desse número é de carros fabricados no Brasil. O governo argentino quer recuperar a fatia de 14% que tinha no mercado brasileiro e foi reduzida à apenas 2% de participação. Além de impedir o livre comércio de automóveis a partir de 2006, como prevê o atual acordo automotivo, a Argentina quer um novo marco que regulamente os incentivos fiscais no Brasil para não prejudicar a produção local.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.